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> Guitarras românticas, A história desses violões
jamil
post Apr 18 2008, 14:10 PM
Post #11


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QUOTE(huh @ Apr 18 2008, 01:58 AM) *
A quantiade de cravelhas era a minha base pra afirmação, mas posso ter sido ludibriado. Acho que deve ser isso que você falou: as guitarras barrocas foram concebidas para terem orden duplas (tanto é que, em praticamente todos os cravelhames você vê dez cravelhas), mas na prática pode-se ter desenvolvido o costume de usar simples na primeira. Depois dessa bibliografia, fico convencido!

(...)

Quanto o uso de afinações diferentes, sei de casos onde elas existiam, mas realmente eram muito raras pelo que andei pesquisando. Mas, se você tiver mais dados, por favor, acrescente!

Se puder, fale mais da interpretação e detalhes técnicos na guitarra barroca, seria algo muito legal!
E das impressões sobre a sonoridade de diferentes instrumentos barrocos que você tenha experimentado.


Huh,

Ainda em relação ao número de cordas no primeiro curso, esqueci de mencionar antes um detalhe: minha guitarra, construída pelo Luciano, apesar de ter 10 cravelhas, possue apenas 9 furos no cavalete; justamente na região onde se prende a corda da primeira ordem há apenas um único furo; para as outras ordens, dois. Diante disso, acredito que foram mantidas as 10 cravelhas, e não nove, como seria de esperar, por razões históricas, estéticas, simetria, etc. Creio que conversei com o Luciano a respeito, mas minha memória é péssima e agora já não me lembro mais a explicação.

Encontrei uma passagem, de Benedetto Sanseverino (Il primo libro d'intavolatura, 1622), que se refere ao uso de uma corda apenas do primeiro curso: '(p.vii) La chitarra vuol'havere cinque ordine accompagnati à due corde per ordinge eccetto il cantino. (...) Il cantino primo ordine solo, l'accordarete quattro voci più alte del sodetto secondo ordine (...).' Ela se encontra na excelente compilação de Monica Hall dos principais textos acerca de afinação da guitarra barroca, colhidos em tratados, manuais, etc. da época, publicados em diversos países. Eis o link (recomendo a leitura) http://rmguitar.info/Monica/Frontpage.htm Vale dizer, mais uma vez, seu texto está corretíssimo, Huh, indo ao encontro do que ensinavam todos os autores daquele período. Afinações alternativas, diferentes da que você e esses textos mencionam, realmente eram a exceção, quanto a isso não há dúvida.

No que se refere à interpretação, prefiro deixar esse assunto para mais tarde, quem sabe um dia quando eu colocar alguma gravação no setor de gravações e vídeos do fórum, oportunidade em que poderei tratar com mais propriedade do assunto. Por outro lado, apesar de já estudar há mais de um ano com o Guilherme, ainda não me sinto habilitado o suficiente para tratar com segurança desse tema.

Sobre detalhes técnicos do instrumento, penso que não tenha muito a acrescentar, além dos conhecimentos de que você e os leitores aqui já dispõem. Talvez, um detalhe que eu consiga perceber um pouco mais, pelo fato de estar em contato diário com o instrumento, seja em relação à construção, mais especificamente no que diz respeito ao tampo e à estrutura interna, que, no meu entender - de leigo -, são os principais responsáveis pela projeção e volume sonoro do instrumento. Particularmente, essa guitarra que eu tenho é impressionante nesses aspectos. Quando você a toca, um acorde simples que seja, sente ela vibrar por completo, desde a ponta da mão (cravelhame) até a borda inferior do seu corpo; chega a fazer cócegas em meu peito, em minha barriga (rs), sem exageros. Você quase que vê o deslocamento do tampo... Se você fala próximo a ela, não precisa nem ser emitindo notas próximas à da ressonância do tampo, idem, você percebe a bichinha vibrar com se quisesse acompanhar com música a sua fala (rs). Enfim, é um instrumento maravilhoso, que a cada dia eu passo a gostar e admirar mais, graças à habilidade, competência e erudição do Luciano Faria.

Já toquei em mais duas outras guitarras barrocas, assinadas por outros construtores, que eram bem diferentes da minha, com características sonoras bem diversas, etc. Mas, peço-lhe que me permita não tecer comentários aqui, já que o contato que tive com esses instrumentos foi muito rápido, não o suficiente para falar sobre eles de maneira fidedigna, e talvez a minha impressão a respeito deles, inclusive, esteja até equivocada.

Um abraço!
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jamil
post Apr 18 2008, 14:23 PM
Post #12


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QUOTE(Prox @ Apr 18 2008, 12:55 PM) *
Sobre a guitarra barroca, recomendo o livro do Frank Koonce - "Baroque Guitar In Spain And The New World"
http://www.melbay.com/contents.asp?Product...mp;s=&next=
O livro é ao estilo daquele com as suites para alaúde do Bach. Contém uma boa introdução com um resumo da história, discussão sobre as variantes de afinação, como ler a tablatura e transcrever para violão, dicas de performance, ornamentação etc. Além disso inclui uma boa seleção de peças transcritas para violão, com o facsimile.


Prox, valeu pela dica deste livro, parece bem interessante!
Acho que o link está incompleto ou errado. Aqui o correto/completo: http://www.melbay.com/product.asp?ProductI...fSearch=keyword
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huh
post Apr 18 2008, 16:14 PM
Post #13


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Legal Prox,

Essa imagem da árvore genealógica vai facilitar muito a visualização das escolas de construção.

Jamil, muito legais essas informações, espero que você continue postando o que descobrir aqui!

Bem, a era da guitarra romântica, que na verdade é pré-romântica (pois o Romantismo só veio depois), ou de transição entre o Classicismo e o Romantismo, durou quase um século. Da década de 1770 até à segunda metade do século XIX, quando Torres introduziu o seu novo conceito, e gradualmente ele foi dominando o cenário da luteria. Alguns clamam que o italiano Fabricatore foi o inventor da guitarra romântica, e por consequência, do violão de 6 cordas. Não é uma certeza, mas pode-se afirmar que pelo menos ele foi um dos pioneiros.

Nesse periodo, se desenvolveram 4 escolas de construção. Muitos citam 5 escolas: a espanhola, a italiana, a francesa, a vienense e a inglesa. Porém, a escola inglesa, apesar de geograficamente ter existido, na verdade seguia a linha de construção da escola espanhola. Até por issso, é vista como um desenvolvimento do estilo espanhol. Muitas dessas escolas se influenciaram mutuamente, é claro, pois eram contemporâneas. A italiana influenciou fortemente a vienense, por exemplo.

Cada escola tinha uma característica de construção peculiar, tanto no formato e tamanho de corpo, no uso de travessas, no formato da mão ou cravelhame, e na sonoridade obtida. Se fosse fazer uma descrição um pouco mais resumida da sonoridade de cada escola, teriamos:

- espanhola: sonoridade mais cálida, cheia, grave e poderosa.
- francesa: sonoridade mais delicada, focada em nuance, singela e com agudos pronunciados.
- italiana: sonoridade com certo corpo, calor, mas focada e com nitidez. Um meio termo entre a espanhola e a vienense
- vienense: sonoridade bem focada, nítida, definida, agudos pronunciados.

E, como é pitoresco cruzar essas descrições com os perfis culturais na arte desses países, e na personalidade típica dos seus habitantes! Mesmo as composições musicais de cada um desses países buscam características que se encaixam bem na sonoridade de seus instrumentos. Não posso deixar de imaginar e divagar se as características da luteria influenciaram a forma de compor, assim como a busca sonora influenciou a construção. Ou seja, se houve uma potencialização das peculiaridades estéticas pelo fluxo em mão dupla de informação e influência entre compositor e luthier. Não li nada disso, é apenas um pensamento jogado sobre sociologia.

Os exemplares de cada escola, no seu começo, ainda tinham muita semelhança com as guitarras barrocas: mesmo formato de corpo, ornamentação com bigodes mais exagerada, estrutura interna, escala no nivel do tampo, cravelhas. Depois, foram se desenvolvendo. Vou postar imagens de instrumentos típicos de cada escola no seu formato mais estabilizado, e depois abordo uma a uma:



Da esquerda pra direita:

1) Escola Italiana: Fabricatore 1815, "restaurada" por Samuel Huh no Photoshop
2) Escola Vienense: Stauffer, réplica de Bernhard Kresse (foto do site dele)
3) Escola Francesa: Lacote, réplica de Bernhard Kresse (foto do site dele)
4) Escola Espanhola/Inglesa: Panormo, réplica de Bernhard Kresse (foto do site dele)

Percebam as diferenças estéticas, de proporções, de tecnologia. E também as semelhanças. Como Staufer teve grande ifnluência da escola italiana, veja que os bigodes dele costumam lembrar a ornamentação dos italianos, mas com mais comedimento austríaco. Panormo tem o corpo e as travessas internas iguais às medidas da escola espanhola, de Pagés. Na verdade, ele usou as plantas. E percebam a semelhança do tamanho e formato de corpo do Fabricatore com as guitarras barrocas postadas anteriormente.


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Samuel Huh
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huh
post Apr 19 2008, 17:44 PM
Post #14


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Falando sobre a escola italiana, o primeiro nome que desponta é o de Fabricatore. Porém, o fato é que não existiu somente um luthier Fabricatore, mas uma família que construia instrumentos dentro dos mesmos princípios. Algumas guitarras, inclusive, têm a origem incerta, sobre especificamente quais dos Fabricatores seriam os autores.

Um quadro que mostra bem isso é este, do site www.crane.gr.jp:



O Gennaro Fabricatore foi um dos mais ativos da família, e grande parte dos instrumentos que hoje se vêem nas fotos são de sua autoria.

Outro nome de relevo na luteria italiana é o Guadagnini (cuja família, e ele próprio, também fazia violinos). John Williams já gravou, inclusive, o concerto de Giuliani para 2 violões, com uma Gaetano Guadagnini. Dizem as más línguas que ficou bem melhor que com Smallman smile.gif :

http://plum.cream.org/williams/records/062.htm





Réplicas de Guadagnini construidas pelo luthier argentino Jose Verdi. Escutem as gravações no site (http://www.proyectoguadagnini.com.ar/)



A escola italiana se caracteriza por um tamanho de corpo mais alongado, praticamente descendendo do corpo das guitarras barrocas (como a Stradivari na página anterior), travessas internas transversais (de uma lateral à outra), cravelhame em formato de 8, e, em alguns construtores, ornamentação bastante carregada.

A sonoridade é doce, calorosa e focada, tendo um excelente equilíbrio entre os registros.

Veja um exemplo com Marcos Tamayo e uma Guadagnini (se não me engano, original de 1837, com o som um pouco decaído já):



O video acima não mostra a sonoridade plena desses instrumentos, pois a guitarra tem mais de 170 anos e está já um pouco passada. Mas, agora, percebam a excelente sonoridade e versatilidade dessas guitarras nos videos do Ricardo Gallen, que toca numa réplica de Fabricatore feita por Arnoldo Garcia:





Dizem que essa réplica é baseada numa Fabricatore de 1840, mas refuto isso, e estou aguardando a resposta do Arnoldo Garcia sobre a data do original. Além da data não bater com o período em que as guitarras foram construídas, a ornamentação é muiito semelhante à da Fabricatore 1815:


fonte: www.gitarreverein-weimar.de


fonte:theguitarsalon.com

Esta Fabricatore de 1815 foi a que eu " restaurei" no photoshop no post anterior. Talvez, lá, com o tampo na tonalidade de madeira nova, você percebam ainda mais a semelhança. Na verdade, a ornamentação da original possui apenas uma linha a mais de cada lado, o que me leva a crer que a réplica do Arnoldo Garcia foi baseada nesta, e simplificada na ornamentação. E com escala sobreposta, ou seja, com o pedaço de ébano com trastes colado ao braço e sobre o tampo, talvez a pedido do intérprete (não era característica dos Fabricatore a escala sobreposta tão grossa)

Bem, a família Fabricatore era muito conhecida pela sua ornamentação. Além de usar desenhos no tampo, usava madrepérola, osso, e outros materiais para rebuscar o visual da guitarra. Isso pode ser derivado do fato de serem uma das primeiras gerações de luthiers de guitarra romântica herdando as tradições diretamente da época das guitarras barrocas. O patriarca, aliás, construía guitarras barrocas. Talvez daí também venha o fato do corpo ter formato e estrutura igual às das guitarras barrocas:



Fonte: www.earlyromanticguitar.com

Reparem no cravelhame em 8, e nestas guitarras, a escala no nivel do tampo, com os últimos trastes diretamente sobre ele:

1809, supostamente a guitarra foi usada pelo própriop Mauro Giuliani:

Fonte: www.maccaripugliese.com

1811:


Agora, reparem que eles também utilizaram um método onde se deixava de fazer a madeira do tampo invadir o braço, como na guitarra anterior. Era o contrário, com a madeira da escala invadindo o tampo. Porém, a escala ainda ficava no mesmo nivel do tampo. Era uma escala de espessura fina, cuja função, imagino, devia ser de proteger o tampo do desgaste produzidos pelos dedos nas casas superiores.

1819:


Esse método (que também era usado em outras escolas) me parece que lançou as bases para a escala sobreposta, que além de proteger o tampo do desgaste, facilitaria a digitação da mão esquerda nas posições altas. Porém, os Fabricatores não chegaram a dar esse passo além. Mais um detalhe da escala fina, na altura do tampo:


Creditos: www.marcobattaglia.it

Dois grandes conhecidos nossos que usaram os violões Fabricatore foram Mauro Giuliani e o Niccolo Paganini, o grande violinista que, pelos registros da época, era um virtuosíssimo violonista também. Ele possuia uma Fabricatore 1819. Aliás, poucos sabem que o Paganini compôs dezenas de peças curtas para violão e duos com violão e violino, e talvez seja o maior nome da música a ter composto para o nosso instrumento. Pena que a qualidade da composição pra violão não chega aos pés da qualidade das peças de violino como os Capriccios. Mas têm o seu charme, vejam uma composição pra violão e violino, de Paganini, tocada em instrumentos de época. A guitarra parece ser uma Guadagnini:



Créditos: As fotos, quando não especificado, foram retiradas de www.earlyromanticguitar.com


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Samuel Huh
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huh
post Apr 19 2008, 18:07 PM
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É claro, para versões mais baratas, eles também construíam sem tanta ornamentação, levando a crer que as ornamentadas eram para aqueles que possuíam maior status social. Veja esta de 1806, até simples na estética, nem parece Fabricatore:



Esta, reparem, já tem escala fina no nivel do tampo.

Makoto Tsuruta, no seu site (http://www.crane.gr.jp/more/GBFabricatore1806copy/indexE.html) documenta o processo de réplica dessa guitarra. Vejam como a beleza estética vem à tona quando com madeiras novas:





Bigode:


Cravelhame:


Base:


Fundo em maple tremido:



Bigode e cavalete:


Escala fina, no nivel do tampo (escala invadindo tampo):


Comparação:



Agora, uma outra réplica, de uma Raffaele Fabricatore 1813 (http://www.crane.gr.jp/more/2007Fabricatore2007/indexE.html) :

Escala no nivel do tampo (tampo invadindo escala):


Bigode


Fundo


Cravelhame


Visão geral


Aqui neste link, Makoto Tsuruta também disponibiliza gratuitamente as plantas. Reparem nas travessas transversais, e não em forma de leque como estamos acostumados nos violões modernos e (como veremos) na escola espanhola.

http://www.crane.gr.jp/CRANE_etc/CRANE_Plan_E.html

Eu, pessoalmente, se fosse fazer uma réplica de uma Fabricatore, eu faria uma com a ornamentação peculiar. Afinal, senão seria como assistir show do Kiss com os caras de terno e sem maquiagem.

Não sou tão fã assim da ornamentação com madrepérola, mas a em madeira, no tampo, acho muito interessante.
A Fabricatore do Ricardo Gallén é muito legal, e que sonoridade ela tem! Num video com pouca qualidade, já se percebe que ela consegue ter um timbre doce, próximo ao violão moderno, e também um timbre que remete à alaúde e guitarra barroca, dependendo da forma como se toca. Essa versatilidade e riqueza de colorido é uma bela característica. Tá certo, a mão do Gallén ajuda barbaridade nisso. smile.gif

Os Fabricatores (e a escola italiana) foram luthiers que pouco adicionaram as evoluções tecnológicas (como escala sobreposta, tarraxas mecânicas) à construção. Não sei se por tradicionalismo, ou por reais objeções ao uso desses elementos. Muitos, mesmo nos dias atuais, alegam que o uso de cravelhas de madeira deixa o som do violão muito melhor, com o instrumento todo agindo como uma única peça de madeira. Esse é um dos motivos pelos quais os instrumentos de arco e os violões flamencos, até hoje, usam cravelhas ao invés de tarraxas.

A escola italiana é a mais próxima em formato de corpo e técnica de construção das guitarras barrocas, portanto. Mas, é bom atentar que com o passar dos anos, já na metade do século XIX, alguns construtores italianos passaram a se inspirar enormemente na escola vienense, pelo grande sucesso das guitarras de Stauffer. Um site interessante para ver diversas guitarras italianas em fotos de alta resolução é o do luthier Lorenzo Frignani: www.frignanilorenzo.com

Aqui encerro o resumo sobre a escola italiana. Me perdoem eventuais erros. Estou fazendo 90% do texto de memória, pois é justamente um dos objetivos aqui, que eu consiga sedimentar os conceitos que já adquiri. Por favor, se alguém encontrar imprecisões, não se acanhe em intervir. Assim que o povo fizer alguns comentários (se fizer), e a página virar, posto mais sobre as outras escolas.


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Samuel Huh
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huh
post Apr 22 2008, 19:54 PM
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Bem, parece que o assunto não deu ibope...
Então, só pra finalizar e não deixar inacabado, descrevo algumas características resumidas das outras 3 escolas:

Vienense: Georg Stauffer teve um contato bem próximo com a escola italiana, inclusive construindo alguns violões nessa linha, pra depois criar o modelo mais conhecido com um corpo maior, mais acinturado, mão com formato peculiar (algumas guitarras elétricas Fender, como a Stratocaster, parecem ter se inspirado nela) e sonoridade bastante definida e responsiva. O seu filho, o Anton Stauffer, também construiu nesse modelo, mas com um comprimento de escala e corpo maior. A estrutura interna da escola vienense é com travessas transversais, assim como na italiana. Mertz, Legnani e Regondi foram alguns que tocaram nessas guitarras. Desconfia-se que Giuliani também. Ah, e Schubert era dono de uma Stauffer! Hauser construiu alguns modelos baseados na escola vienense, e Christian Frederick Martin, fundador da famosa fábrica de violões de aço americana, foi aprendiz de Georg Stauffer em Viena. Ou seja, toda a luteria de violões de aço (que foi 90% definida pela Martin, na minha opinião), deve muito à escola vienense. Até mesmo as guitarras elétricas!

Francesa: René Lacote foi o grande nome francês na luteria de violões. Seus modelos possuiam um corpo mais longilíneo, com a parte inferior mais arredondada, e o fundo levemente arqueado. No inicio, construía com escala no nivel do tampo e cravelhame em forma de 8. Mas logo adotou a escala sobreposta e inventou um sistema de tarraxas onde o mecanismo ficava pra dentro da madeira, protegido. Muitos afirmam que é o melhor sistema de tarraxas já inventado, do ponto de vista de conceito. Também usava muito madeiras laminadas no corpo. Por exemplo, fazendo fundo e laterais em abeto, e colando uma lâmina de maple por cima. Ele acreditava que a sonoridade saía bem melhor assim. A estrutura interna era de travessas transversais, mas ocasionalmente, algumas possuiam uma travessa levemente diagonal. Sor apreciava bastante as guitarras Lacote. Aguado parece que usava também guitarras da escola francesa, de Laprévotte, com a boca oval. Paganini possuiu uma Grobert, também escola francesa, que depois passou para Berlioz. Carulli e Coste possuiram Lacotes, entre muitos outros.

Espanhola: Pagés foi o grande nome da transição, fazendo algumas guitarras com 6 ordens duplas, pra posteriormente fazer guitarras com 6 ordens simples. A forma da mão da escola espanhola era sempre retangular, e o corpo com linhas que se assemelham ao violão moderno, com a parte inferior menos redonda e mais chata na base. A sonoridade sempre foi mais regulada para os graves, dando um som quente e potente. A estrutura interna de diversos construtores era de travessas em leque, isso desde o período barroco, ou seja, não foi Torres que inventou isso (apenas rearranjou). Louis Panormo (na verdade houveram dois: Carlo e Louis, mas o último era mais destacado) era italiano, que foi morar em Londres. De lá, construiu diversos modelos, mas refutava a escola italiana, preferindo se basear nas plantas espanholas. E os violões que ele fez foram os melhores violões do estilo espanhol da época pré-romântica. Ele instituiu diversos melhoramentos, com o uso de leques com 7 barras de uma forma mais racional, tarraxas mecânicas iguais às que usamos até hoje, e pequenos detalhes de sonoridade que fazem os violões Panormo serem os mais próximos dos violões modernos dentre todos os citados. A escola inglesa que se seguiu, era baseada em Panormo, sendo protanto da linha espanhola. Sor gostava muito dos Panormo, orientou algumas coisas na sua construção, e também possuiu Pagés. Torres construiu muitas guitarras românticas, até que criou o violão moderno, que herda, portanto, a linha de construção da escola espanhola com estrutura de leques, formato geral de corpo e conceito de sonoridade.

Uma última observação: acredito que Herman Hauser I, com a influência da escola de Viena (que veio até mesmo de seu pai), deu um jeito de conseguir a responsividade, o brilho e a nitidez dessa escola dentro da planta Torres. Assim, nasceu um dos maiores violões da história. Por isso, hoje, tributo a escola vienense uma particular fatia de crédito pelo violão moderno.


Gostaria de agradecer ao luthier Bernhard Kresse por valiosas informações sobre sonoridade e gravações de instrumentos de diferentes escolas para comparação.

Abraço


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Samuel Huh
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Alvaro Henrique
post Apr 22 2008, 20:20 PM
Post #17


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Samuel, como assim não dá ibope? Um dos melhores tópicos abertos recentemente. É ótimo ler esses textos, que trazem tanta informação nova e interessante que há pouco o que comentar.


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Alvaro Henrique - http://www.alvarohenrique.com
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huh
post Apr 22 2008, 20:30 PM
Post #18


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Fala Alvaro,

Valeu, eu também acho o assunto interessantíssimo.
Mas é que num tópico desse tipo, as coisas só funcionam com mais participação e postagens. Senão, teria-se que concentrar dezenas de fotos na mesma página, e ficaria impossivel de abrir, dependendo da conexão. Então, por questões técnicas, não dá pra descrever as outras escolas com tanto detalhe e fotos como o fiz pra escola italiana. Se agora já tem baixa quantidade de posts e acessos, imagine depois que eu postasse a escola vienense. Ia ser virtualmente impossivel virar mais uma página.

Prevendo isso, resolvi finalizar com o resumão ao invés de colocar posts detalhados, com mais descrição, histórias e fotos.

É claro, se o pessoal começar a participar, e as páginas forem virando, posso tentar ir aos poucos falando com mais detalhes das escolas vienense, francesa e espanhola.


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Samuel Huh
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Gilson Morais
post Apr 22 2008, 20:54 PM
Post #19


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Belíssima essa guitarra. Aqui no Brasil algum luthier as fabrica? Qual seria o preço? E o som?
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Ricardo Dias
post Apr 22 2008, 21:31 PM
Post #20


O Sereno
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Como não deu ibope? Pirou???? Trate de continuar esse trem, senão conhecerás minha ira!!!!!!!!!!!!!!!


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Ricardo Dias
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