Glauber Cunha
Jul 6 2010, 18:06 PM
Boa noite,
Acabei de me cadastrar pois preciso da ajuda de vocês...
Possuo um violão Di Giorgio e o cavalete descolou.
Vocês conhecem algum Luthier de São Paulo?
Qual a média de preço para este serviço?
Vi algo na net a respeito de um parafuso q pode ser colocado. Qual a melhor forma de realizar o reparo?
Fico feliz em ter achado esse forum, estou completamente perdido...
Ricardo Dias
Jul 6 2010, 18:25 PM
Oi, Glauber; JAMAIS parafuso, normalmente basta limpar ambas as partes e recolar, qualquer luthier é capaz de fazer isso.
Anderson Pedroza
Jul 7 2010, 07:19 AM
Ricardo, você sabe o preço médio que geralmente é cobrado?
Ricardo Dias
Jul 7 2010, 12:23 PM
Não. Se não tiver quebrado nada, nem perdido pedaço do tampo, geralmente é barato.
Glauber Cunha
Jul 7 2010, 14:22 PM
Eu não tenho nenhum contato em Sp.
Só procurando pela net mesmo?
Achei um Luthier na net que cobrava R$70,00 atendendo a domicílio...
Não consegui fazer uma pesquisa de preço, pensei em ir em uma escola de música...
Ricardo Dias
Jul 7 2010, 14:46 PM
Tente o Samuel Carvalho, eles normalmente não fazem reparos mas podem indicar alguém. Huh, você pode passar o telefone em mp para o Glauber?
LinsBahia
Jul 8 2010, 18:29 PM
É possível um Luthier recolar um cavalete sem embassar as laterais do tampo com resto de cola ou alguma coisa sempre escapa?
Ricardo Dias
Jul 8 2010, 19:16 PM
Não deve sujar anda. Se não houve dano quando da quebra, a recolagem deve ser idêntica à colagem original. Não entendi a pergunta!
garcia
Jul 8 2010, 19:43 PM
oi glauber
em que regiao de sao paulo vc se encontra
QUOTE(Glauber Cunha @ Jul 6 2010, 18:06 PM)

Boa noite,
Acabei de me cadastrar pois preciso da ajuda de vocês...
Possuo um violão Di Giorgio e o cavalete descolou.
Vocês conhecem algum Luthier de São Paulo?
Qual a média de preço para este serviço?
Vi algo na net a respeito de um parafuso q pode ser colocado. Qual a melhor forma de realizar o reparo?
Fico feliz em ter achado esse forum, estou completamente perdido...
garcia
Jul 8 2010, 20:04 PM
sim eh possivel , e a maioria dos luthiers o fazem muito bem,
primeiro se marca aonde vai o cavalete , e logo se cerca o local alredor com fita crepe , se cola, e depois de seca a cola , se tia a fita crepe , se fica um pouco de fita crepe pegado ao cavalete , o tiras cuidadosamente com um estilete ,
muito importante , NUNCA limpe a cola com as maos ou pano quando ainda esteja umida , ja que mancharia a madeira , o ideal seria esperar que a cola se seque e , depois de seca , esquenta se um formao velho e se raspa a cola endurecida , com o cuidado de nao esquentar muito a ferramenta a ponto de queimar a madeira do tampo
QUOTE(LinsBahia @ Jul 8 2010, 18:29 PM)

É possível um Luthier recolar um cavalete sem embassar as laterais do tampo com resto de cola ou alguma coisa sempre escapa?
Ricardo Dias
Jul 8 2010, 23:04 PM
Pera lá... o negócio é limpar a cola assim que grampear o cavalete. Depois lambuza tudo. A seqüência é: raspar as colas de ambas as partes (cavalete e tampo); cercar o local com fita crepe, espalhar cola em ambos os lugares, coloca-se, pressiona com grampos específicos. IMEDIATAMENTE limpa-se o excesso de cola, retira-se a camada de fita crepe, limpa-se cuidadosamente o que eventualmente sobrar com um pano úmido, e pronto.
garcia
Jul 9 2010, 01:42 AM
tem razao
esse metodo me pareceu mais rapido e pratico , alem do que o excesso de cola apos retirado a fita crepe , sendo limpo com pano umido , nao deixaria marcas , a experiencia numa profissao sempre fala mais alto
abrazos
QUOTE(Ricardo Dias @ Jul 8 2010, 23:04 PM)

Pera lá... o negócio é limpar a cola assim que grampear o cavalete. Depois lambuza tudo. A seqüência é: raspar as colas de ambas as partes (cavalete e tampo); cercar o local com fita crepe, espalhar cola em ambos os lugares, coloca-se, pressiona com grampos específicos. IMEDIATAMENTE limpa-se o excesso de cola, retira-se a camada de fita crepe, limpa-se cuidadosamente o que eventualmente sobrar com um pano úmido, e pronto.
Anderson Pedroza
Jul 9 2010, 11:01 AM
Agora uma dúvida, cavaletes podem se soltar assim, pelo desígnio de Deus? Ou é alguma atitude errada, tipo por encordoamento de aço que faz isso? Tem algum outro motivo que gere isso?
LinsBahia
Jul 9 2010, 12:38 PM
QUOTE(Ricardo Dias @ Jul 8 2010, 19:16 PM)

Não deve sujar anda. Se não houve dano quando da quebra, a recolagem deve ser idêntica à colagem original. Não entendi a pergunta!
Obrigado pela resposta, era isso mesmo que eu queria saber!Para mim era impossível o Luthier evitar sujar um pouco o tampo no entorno do cavalete !
Todas as vezes que necessitei deste serviço o violão voltou dessa maneira com marcas de dedo e tudo para minha tristeza!
Abraço
Ricardo Dias
Jul 9 2010, 12:40 PM
Que coisa! O cavalete pode soltar por excesso de carga ou por algum problema na hora da colagem.
Nacev
Jul 9 2010, 13:27 PM
"Pera lá... o negócio é limpar a cola assim que grampear o cavalete. Depois lambuza tudo. A seqüência é: raspar as colas de ambas as partes (cavalete e tampo); cercar o local com fita crepe, espalhar cola em ambos os lugares, coloca-se, pressiona com grampos específicos. IMEDIATAMENTE limpa-se o excesso de cola, retira-se a camada de fita crepe, limpa-se cuidadosamente o que eventualmente sobrar com um pano úmido, e pronto."
deixe os grampos lá até dar o tempo de secagem da cola... avisei pois é capaz de alguém retirá-los em seguida.
Ricardo Dias
Jul 9 2010, 13:42 PM
Só dei o roteiro, pouco provável alguém ter os grampos adequados em casa. Mas esse negócio de ficar sujo em volta me preocupou: se foi feito assim, basta limpar com água quente, a cola para isso tem que ser solúvel em água. Será que tacaram Araldite ou Cscamit no teu violão?????
LinsBahia
Jul 9 2010, 19:05 PM
QUOTE(Ricardo Dias @ Jul 9 2010, 13:42 PM)

Só dei o roteiro, pouco provável alguém ter os grampos adequados em casa. Mas esse negócio de ficar sujo em volta me preocupou: se foi feito assim, basta limpar com água quente, a cola para isso tem que ser solúvel em água. Será que tacaram Araldite ou Cscamit no teu violão?????
Estou desconfiando, pois não tem cara de que sai com água quente.Já me rendi ao fato de que vou ter que envenizá-lo mais cedo ou mais tarde.
Grande Abraço
Ricardo Dias
Jul 9 2010, 19:06 PM
É muito comum curiosos colarem cavalete com cola indestrutível, sem saber que a boa cola é a que pode ser retirada quando necessário.
Guarany Lavor
Jul 9 2010, 21:20 PM
Olá pessoal,
De acordo com a minha experiência , a principal causa de descolamento dos cavaletes nos violões industriais, além do uso de cordas de aço e da exposição a temperatura e umidade elevadas, é a colagem mal feita. Todo luthier sabe que nenhuma cola adere à superficie lisa do verniz, sendo necessário, portanto, raspar o mesmo na área do tampo que entrará em contato com o cavalete.
Muitas fabricas fazem esse procedimento de uma maneira bem desleixada, deixando uma boa parte da base do cavalete em contato direto com o verniz. Resultado, o cavalete acaba descolando porque, além da pouca área de contato madeira/madeira, o degrau que fica entre o verniz e a madeira do tampo faz com que se crie ali uma grossa camada de cola, dificultando ainda mais a adesão.
Roberto Gomes
Jul 10 2010, 11:20 AM
Realmente o cavalete é uma área crítica já que aguenta uma tensão de quase 50kg e outros tantos quilos mais quando tocado. Nossas fábricas pecam pela má verificação se as superfícies a serem coladas estão plenamente em contato tanto com o suave abaulamento convexo do tampo e a concavidade da base do cavalete.
Durante muito tempo acreditou-se que uma superfície rugosa era melhor para colagens, mas já há vários anos o U.S. Department of Agriculture
http://www.fpl.fs.fed.us/search/search_act...up=significancemudou de idéia a respeito e, no caso da lutheria e o cavalete em questão, superfície lisa, mas com pleno contato.
Eu faço a verificação do assentamento do cavalete no tampo, limpo a base com palha de aço fina e toalha de papel, e aí esquento o mesmo um pouco, para dilatar os poros e absorver melhor a cola quente que também é aplicada na área de colagem do tampo. Sempre uso cola quente animal, e generosamente, nesta colagem, que depois de grampeada fica um mar de excesso que é rapidamente limpo com toalha de papel. Fica 24 horas nos grampos, sem muita pressão, e mais um mínimo de 48 horas antes de colocar as cordas. Em 230 violões construídos e outras tantas recolagem de cavaletes, tive somente 3 cavaletes descolados, 2 em violas de arame e um com cola com mistura vencida (muitos reesquentamentos).
Guarany Lavor
Jul 10 2010, 13:07 PM
Acho muito importante o que o Roberto falou a respeito dessa "lenda" de que superfícies rugosas resultariam em uma colagem mais firme. Muita gente difunde essa idéia pelos fóruns afora. Dizem ser necessário criar estrias, com lixa grossa, grosa ou outras ferramentas, nas partes a serem coladas, procedimento que garantiria uma maior adesão da cola às partes. Ledo engano.
Não me lembro agora qual a fonte dessa informação, se não me engano está no livro do Sloane, de que as colas possuem dois tipos de força:
1. Adesão, que é a capacidade da cola de aderir a uma determinada superfície (uma adesão química e não mecânica);
2. Coesão, que é a capacidade da cola aderir a ela mesma, ou seja, criar uma estrutura sólida e resistente quando seca;
As colas mais recomendáveis para lutheria - PVA, resina alifática (titebond) e cola quente (animal) - têm um forte poder de adesão, mas não de coesão, ou seja, quanto mais fina a camada de cola entre as partes, mais resistente é a colagem. No caso específico da cola quente, até que ela tem um pouco mais de força de coesão do que as outras, quando ela seca se transforma numa espécie de "vidro" altamente resistente, mas como ela regride muito de volume por secar por evaporação, os vãos e as estrias não ficam preenchidos por ela, ficam praticamente ocos.
Existem colas com forte poder de coesão também, como é o caso do Epoxi e do cianocrilato, mas não são recomendáveis para lutheria por não serem removíveis.
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