Ajuda - Busca - Membros - Calendário
Versão Completa: Decorar músicas com rapidez
Fórum de Violão > Debates > Violão
Ricardo Henrique
Olá a todos do fórum, estou postando este tópico pois estou estudando a suite 3 para cello do Bach e ela tem 16 folhas, então surgiu a questão...
Existem caminhos para decorar essa suite mais rápido...
Me disseram para ficar lendo ela inteira todos os dias fazendo anotações nos trechos de maior dificuldade e treinando eles a parte até decorar mas as vezes sinto mais facilidade em pegar apenas o preludio, por exemplo, e tocar varias vezes até decorar e depois a allemande, etc,etc...mas também sinto que demora um pouco dessa forma.
Acredito que possam me ajudar nessa questão.
Valeu!!
Ricardo Dias
Sou péssimo em decorar, mas tenho uma dica que o Sergio Abreu me disse ontem: se preocupar com as partes mais difíceis vai te ajudar a errar as fáceis! Dito isso, estou interessadíssimo em dicas para memorização também!
Erasmo Valeriano
Eu acabo decorando a peça mecânicamente, o que não é muito bom porque se você erra um dedo, vai tudo por água a baixo.
A minha leitura ainda não é muito boa, então decoro parte por parte, de qualquer peça.
Juan Carlos Lorenzo
Normalmente hay una relación inversa entre la habilidad para memorizar y la habilidad para leer, aunque hay alguna gente que hace las dos cosas con facilidad.
En mi caso, hay algunas músicas que memorizo rapidamente y otras que me cuestan mucho trabajo. No sé muy bien la razón.
En todo caso, para las piezas difíciles de memorizar es bueno intentarlo poco a poco, dando la vuelta a la partitura y obligándose a tocarla, aunque sea por pequeños fragmentos.

Juan
Delduque
Ricardo não se preocupe tanto em decorar , estude dividindo em trechos depois fazendo a ligação de um trecho com outro e sempre com a partitura na sua frente.Estudar com a procupação de decorar dá a maior ansiedade.Na minha opinião é melhor vc tocar bem lendo do que de cor esquecendo partes da música.Abs.
Caio B.
Eu geralmente decoro com mais facilidade quando leio a música algumas vezes para depois decorar. Isso ajuda, também, a evitar a execução equivocada de certos trechos, como notas erradas, erro de andamento, etc. Memorização é uma coisa complicada, pois tem pessoas com bastante facilidade e não há uma explicação muito exata para descrever tal facilidade. O que se pode dizer é que há um tripé do músico intérprete que é a memorização visual/tátil/auditiva. Quem já fez transcrição, por exemplo, sabe que é muito mais fácil transcrever músicas que o ouvido já está acostumado, do que músicas que são escutadas na hora para serem transcritas. O que me leva a crer que a leitura, como também a audição por parte de outros intérpretes, é fundamental para acelerar a memorização de uma peça. Só pra ilustrar a questão das multi faces da memória, quase todo violonista que esteja dentro do universo do violão há um tempo, sentirá mais facilidade em decorar uma peça do Barrios do que um Cyril Scott, isso porque a música que mais vivenciamos tende a ser a do Barrios. Também a uma questão estética que auxilia a memorização. Geralmente decoramos com mais facilidade o estilo de música ao qual mais escutamos, se for choro, a facilidade em decorar esse gênero é maior, se for dodecafonismo, idem, moderna, tango, etc. Recomendo que você escute bastante música barroca, talvez até improvisando temas, pode ser que auxilie na questão da memorização.
prankstare
QUOTE
En mi caso, hay algunas músicas que memorizo rapidamente y otras que me cuestan mucho trabajo. No sé muy bien la razón.


Talvez porque são aquelas canções nas quais têm mais valor emocional para você, aliado a repetição. :-)

Não sei como é no lado erudito, que é bem mais complicado, mas eu não sou muito adepto a leitura - acho que gravo mais rapido quando decoro e tento passar mecanicamente só de cabeça.
augusto yamaguti
Aproveitando ... o que é mais importante : uma ótima leitura ou uma ótima memória ? Particularmente gostaria de ter uma ótima leitura, para começar...Se vc tem de cara uma ótima memória, como Juan citou, vai acabar deixando a leitura de lado (acho). Se vc tiver uma ótima leitura, a repetição faz com que vc memorize(acho).

Com uma ótima leitura a possibilidade de aumentar o repertório deve ser favorecida...meu sonho seria um dia, pegar uma partitura desconhecida e em algumas horas sair tocando, mesmo que meia-boca...meu sonho(rs).

Se me permitem pegar carona no tópico, como fazer para melhorar a leitura também ?
rods
Um texto qualquer pode ser visto como uma simples sequência de letras. Mas imagine decorar uma sequência de letras. O que decoramos são as palavras, ou melhor ainda a relação entre as palavras. O sentido do texto. O significado.
Se você estudar uma música, dissecá-la, buscar entender a história que está sendo contada, decorar passa a ser uma consequência ...
Rodrigo
Brito
Concordo com o Juan e com o Augusto.

Memorizo até com certa facilidade, porém minha leitura é sofrível e acho que boa parte se deve à maneira como estudo.
Leio um trecho, com muita dificuldade por sinal, e depois toco repetidamente até "internalizá-lo" . Depois toco a peça do inicio, acrescentando o último trecho. E assim por diante.

Dessa maneira, leio a peça poucas vezes e quase sempre "picotada".
Talvez por isso minha leitura seja tão ruim.

"Se me permitem pegar carona no tópico, como fazer para melhorar a leitura também ?"


Brito
augusto yamaguti
Meu professor comenta que é ótimo aprender a "cantar" a partitura, aliás até mesmo antes de começar a tocar...confesso, deve ser coisa para poucos.
Remo Pellegrini
Concordo com o Rods. Acho que o caminho é a análise e tocar bastante pensando na análise. Daí, não se decora notas ou movimentos mecânicos, e sim, estruturas. Isso para acompanhamento (cifras) é muito mais fácil.

Parece também que a memória funciona como um músculo. Se exigimos dela continuamente, ela se fortalece.
Rodrigo Selis
QUOTE(augusto yamaguti @ Jul 21 2010, 09:38 AM) *
Meu professor comenta que é ótimo aprender a "cantar" a partitura, aliás até mesmo antes de começar a tocar... confesso, deve ser coisa para poucos.


Concordo.
Prox
Pra mim, alguns recursos que ajudam na memorização:

- estudar repetindo aleatoriamente, ao invés de blocos.
Repetir em blocos deixa o estudo mecânico e diminui a concentração. Parece render mais no momento do estudo, mas a longo prazo é pior para a memorização.
É melhor programar tudo o que se planeja estudar por trechos (exercícios, trechos de obras etc.) e tocar um pouco cada um, numa sequencia aleatória, depois tocar tudo de novo, em outra sequencia etc. O número de repetições e tempo de estudo continua o mesmo, mas são distribuidos aleatoriamente. Também não vale tocar a música sempre na sequencia. Separo trechos de estudo, começo com um do meio, depois faço o início, volto pro final e assim vai, aleatoriamente, cada dia diferente. Isso obriga a manter a concentração e consciência do que se está fazendo.

- usar visualização intercalada com a prática no instrumento.
ao invés de repetir sempre tocando ao violão, intercalar com repetições mentais, ouvindo a música, imaginando a movimentação da mão esquerda, da mão direita etc. É difífil imaginar tudo ao mesmo tempo, então dá pra imaginar itens específicos. Costumo primeiro focar em memorizar a música, auditivamente, onde também faço associações de análise (harmonia, padrões etc.), depois trabalho na visualização do movimentos mecânicos/táteis.

- usar vários recursos e associações de memória ao mesmo tempo.
Nem sempre trabalho todos detalhadamente, mas quanto mais recursos mais enraizada na memória ficará a peça: memória auditiva (imaginar o som), visual (imaginar a movimentação das mãos e corpo), tátil (sensações na pele, dedos), msucular (memorizar as sensações de contração e relaxamento muscular), emotiva (associar a emoções), vocal (cantar as melodias), de linguagem (análise e associações diversas, imaginar a partitura), etc.

- ler peça nova antes de dormir.
Parece facilitar a memorização. No outro dia quando acordo, parece mais fácil relembrar.

- disciplina
Ter uma programação diária e seguí-la à risca, estudando cada trecho todo dia, ou a cada 2,3 dias, conforme grau de dificuldade etc.
Meu maior problema atual, pois meu trabalho não tem me deixado seguir uma programação disciplinada com o violão. A idéia do estudo por repetição aleatória, apesar de parecer bagunçada, não é nada disso, e não funciona se não for feita disciplinadamente.
leonnardomoreira
Falar nome de nota e contar tempos em voz alta ajuda bastante!

O violonista, muitas vezes, se habitua a decorar as mecânicas da peça, digitação, para qual casa ir, qual acorde fazer, etc... e creio que esse hábito existe por uma questão cultural, principalmente pelo fato do instrumento ser bastante tradicional em música popular.

Quando pensamos em mecânica, pensamos num aspecto físico, não musical. Ao solfejarmos a peça, na medida do possível, estamos trabalhando outros conceitos. Passamos a perceber melhor relações intervalares e harmonia. Contar os tempos é bastante eficaz na firmeza dos ritmos.

Acredito que tudo isso, associado a uma intensa concentração e disciplina, tem um papel fundamental no processo de memorização, não me refiro apenas ao decorar uma peça, mas também ao não esquecê-la mesmo depois de um longo tempo sem tocá-la.

Essa é uma metodologia utilizada em muitos outros instrumentos e por isso eu me arriscaria a dizer que é consagrada também, vistou que quem a pratica possui memória exemplar!

Abraço a todos!
Ricardo Salles
Bom eu tenho um sistema muito simples que tem ajudado meus alunos e também aplico comigo, para violonistas destros o braço do violão fica direcionado para esquerda, então se o música utiliza a estante de partitura coloque na direção mais próxima onde o braço do violão esta apontado, o mesmo se da para quem é canhoto, adote o mesmo princípio, estude por 30 minutos com o instrumento, depois pegue a partitura e fique lendo visualmente sem o instrumento faça isso por uns 5 a 10 minutos, volte ao instrumento, leia novamente tente ler e tocar uma pauta vendo na partitura depois repita o processo sem ver, somente no instrumento, quando ter a música toda na cabeça e nos dedos, passe para uma papel ou escreva num editor de partituras, para tirar a prova real, garanto que essa música vai ficar na sua cabeça por uns 5 anos pelo menos, mesmo não tocando. Outra forma e depois que decorou falar nota e figura musical e digitação. Se conseguir fazer isso, é sucesso absoluto.
Amon
Tem muita coisa escrita sobre memorização no fórum. Nesse tópico tem alguma coisa: http://www.violao.org/index.php?showtopic=2510
Ricardo Henrique
Nossa, quanta informação boa!!
Valeu a atenção ae pessoal!
Agora é só colocar as mãos (e a memoria!) em ação rsrs....
Anna Luisa
Então solfejar ajuda a memória? Assisiti duas vezes o Franz Halaaz na TV SESC e ele solfejava durante a execução das peças. Achei estranho, era isso mesmo?
FZanon
O Franz não solfeja, não. Em alemão não se solfeja, se canta.
Gente, cantar é para todos, não é exclusividade de ninguém. Só não consigo ver relação direta entre solfejar e memorizar.
Posso dar um conselho. A pior atitude é sentar pra estudar e dizer: hoje vou memorizar esta peça. Isso não leva a nada, pressão desnecessária. A gente senta pra aprender a música. Sabê-la de cor é uma decorrência. E tem gente que não decora, não se sente segura. Não vejo problema. Assisti ao Sviatoslav Richter e ele tocava tudo com partitura.
Prox
QUOTE(FZanon @ Jul 22 2010, 08:49 AM) *
A pior atitude é sentar pra estudar e dizer: hoje vou memorizar esta peça. Isso não leva a nada, pressão desnecessária. A gente senta pra aprender a música. Sabê-la de cor é uma decorrência.

Concordo, mas o jeito que se estuda/aprende vai influenciar na facilidade ou velocidade com que a "decorrência" ocorre...

augusto yamaguti
QUOTE(FZanon @ Jul 22 2010, 08:49 AM) *
E tem gente que não decora, não se sente segura. Não vejo problema. Assisti ao Sviatoslav Richter e ele tocava tudo com partitura.


Quer dizer que não é "feio" dar um recital carregando uma pasta com as partituras ?
FZanon
Feio é ir lá e esquecer, vacilar, etc. Claro, uma peça totalmente dominada e decorada dá mais impressão de liberdade que uma coisa tocada com partitura. Tocar de cor acabou virando um diferencial entre o virtuose profissional e o amador, mas acho isso infundado.
Antonio Carlos
QUOTE(augusto yamaguti @ Jul 22 2010, 10:30 AM) *
Quer dizer que não é "feio" dar um recital carregando uma pasta com as partituras ?


A questão aí não é levar uma pasta com partituras, é não ter fluência na leitura. Uma grande quantidade de violonistas não possuem fluência na leitura. Como consequência, tocar bem vira sinônimo de tocar de memória, pois colocar uma partitura na frente muitas vezes atrapalha mais que ajuda. Aí vira aquele recital tenso.
Uma observação que eu faço seria quantificar a velocidade em decorar. O que seria rápido e o que seria lento? Na minhas observações, creio que em uma suite de Bach a velocidade razoável seria decorar pelo menos meia página por dia de estudo. Ou seja, uma obra de 16 páginas, cerca de 32 dias de estudo.
Abraços,
AC
FZanon
Se a digitação já estiver resolvida, eu decoro uma suite de Bach em dois dias. Mas levo uns 6 meses pra decidir a digitação, então normalmente ela já está de cor quando o trabalhopropriamente dito começa.
Nilo Sergio
Com a parte intelectual resolvida tudo fica mais fácil...
Amon
QUOTE(FZanon @ Jul 23 2010, 10:06 AM) *
Se a digitação já estiver resolvida, eu decoro uma suite de Bach em dois dias. Mas levo uns 6 meses pra decidir a digitação, então normalmente ela já está de cor quando o trabalhopropriamente dito começa.


Aí é só passar pros dedos, neh? Acho que em qualquer coisa em música os dedos têm sempre que correr atrás do que a cabeça já sabe.
Bruno Rossi
Andei lendo uns textos sobre performance e o que o Rodrigo comentou acima faz muito sentido.
É importante procurar a história da peça, do período, do compositor. Vale até dar uma lida na história geral do período. Isso ajuda a contextualizar a peça e formar relações dentro do cérebro. Facilita muito na memorização. Tenho testado e dá resultado mesmo. Inclusive, a gente acaba gostando mais ainda da peça...

Bruno
Ricardo Dias
O que acho que rola é a pessoa saber a música bem, e usar a partitura para evitar brancos, como o Russell faz.
FZanon
O Russell teve uma fase em que tinha vários pequenos brancos ao longo dos recitais. No ano seguinte, ele começou a tocar com a partitura, nem sempre olhando, mas sempre ali na frente, e os recitais ficaram muito melhores.
Tudo depende de como a pessoa consegue administrar os brancos. Brancos todos têm.
AC, a falta de fluência na leitura deveria ser só em primeira vista,no palco realmente é só uma rede de segurança. Mas é preciso treinar tocar assim. Eu já tive um branco com a partitura na frente. Fiquei tocando de cor, e quando fui ler um trecho não sabia onde estava.
Thiago Marques
Zanon, voce ja teve que parar alguma música no meio? Por branco, ou por nervosismo... ou ainda, por falta de concentração mesmo.
Se sim, o que fez?
Abraço
FZanon
Para no meio nunca. Mas já tive um solene branco no meio de algumas músicas, como a Apassionata do Miranda ou no Music of Memory, e tive alguma dificuldade em me safar, porque eram trechos de harmonia complicada e não dava pra improvisar uma transição.
Thiago Marques
Eu ainda tenho muita dificuldade em tocar em publico, acabo me desconcentrando e minha mao fica dura, ou as vezes um pouco gelada.
E acho que o remedio e tocar muito em publico, né?
Agora, quando voce ta nos concertos, voce so pensa exatamente no que ta fazendo...ou as vezes passa outras coisas na sua cabeça?
E quando começa a surgir coisas negativas na sua cabeça, voce tem alguma ferramente psicologica pra isso?rs
Obs; nossa, to fazendo uma perguntas estilo afccionado chato de violao. huahua
Obrigado, Zanon.
Antonio Carlos
Pois é Zanon,
Eu falei de uma forma geral. Um típico iniciante no violão irá estudar técnica da seguinte maneira: pega a fórmula mão direita e mão esquerda, decora e fica repetindo a ginástica. Simplesmente comparando, sem julgamento do que é melhor, em um instrumento de arco ou sopro, não existe muito essa possibilidade, pode-se até repetir pequenos trechos, mas o aluno acaba sendo obrigado a ler a partitura e tocar ao mesmo tempo. O desenvolvimento dele no instrumento está intimamente ligado com a fluência em ler partituras. Uma consequência dessa diferença de abordagem é que um violonista que possui fluência em ler partituras provavelmente a adquiriu por iniciativa própria. Isso também acontece com muitos pianistas. Obviamente um instrumentista de arco ou sopro só possui uma linha melódica para ler, o que facilita muito. Uma coisa que eu acho ruim é que colocamos a partitura na frente, o que nos obriga a tocar de uma maneira diferente da que tocamos normalmente sem partitura, ou seja olhando para o lado da mão esquerda. Um flautista manterá a mesma posição tanto lendo quanto tocando de memória.
Puxa, chega a ser paradoxal ter um branco justamente na "music of memory" unsure.gif
Thiago,
Sei que você perguntou pro Zanon, mas me permita dar um pitaco, pensamentos negativos normalmente surgem em obras que ainda não esta firme debaixo dos dedos. Esta falta de firmeza gera insegurança que se transforma em pensamentos negativos na hora do recital. Os seja, a ferramenta psicológica seria estudar mais e adquirir mais prática em dar recitais.
Abraços,
AC
Thiago Marques
QUOTE(Antonio Carlos @ Jul 23 2010, 21:49 PM) *
Thiago,
Sei que você perguntou pro Zanon, mas me permita dar um pitaco, pensamentos negativos normalmente surgem em obras que ainda não esta firme debaixo dos dedos. Esta falta de firmeza gera insegurança que se transforma em pensamentos negativos na hora do recital. Os seja, a ferramenta psicológica seria estudar mais e adquirir mais prática em dar recitais.
Abraços,
AC



Obrigado,Antonio. Eu também acredito nisso, acho que quando se está seguro no que faz, a coisa acontece naturalmente...=)
E deixa eu voltar a estudar aqui, porque nao posso dar bobeira..rsrs
Obrigado pela força e atenção. Abc
FFereira
Sempre que pego uma partitura para ler, planejo tudo que vou fazer - digitação, dinâmica, fraseado, etc - antes de pôr a mão no instrumento. Quando já tenho tudo em mente e já decorada sem precisar pegar novamente na partitura, aí pego o violão. Isso funciona comigo. O problema é que não resisto e quando já faço a leitura "mental"(não canto a melodia, seja por tatata ou solfejando porque isso atrapalha minha dinâmica, então já tenho ideia do timbre, dinâmica, etc, tudo de memória) a frase fica tão bonita na minha mente que já quero pegar o instrumento e tocar. laugh.gif
Meu grande problema é decorar e ficar totalmente independente da partitura. Essa etapa é a que mais demoro.
Mas só conheço uma fórmula para tudo isso: praticar.

P.S.: Decorar fica mais difícil ainda quando se tem TDAH.
J. C. Spinardi
Eu tenho uma leitura bastante legal (comparada com a dos colegas com os quais convivo), as coisas que funcionaram para MIM creio que foram:

Ler de tudo:

* grades de orquestras,

*musicas de violino, flauta, piano, etc.

* hinários evangélicos ou corais de bach (com vozes divididas, soprano, contralto, tenor e baixo, e também "somando" as vozes durante a leitura inclusive claves distintas ao mesmo tempo)

* Ler peças mais difíceis do que se poderia tocar naquele momento, tem muita gente que acha isso até "sacrilégio" porém do MEU ponto de vista se você dedica um tempinho ocasional para isso, vendo como são as encrencas do violão, quando partir para peças adequadas ao seu nível, tudo se tornará mais simples pois terá um conhecimento maior do braço do violão, efeitos possíveis, etc.

Vejam bem ler peças "cabeludas" não quer dizer estudá-las para apresentações, é algo como uma curiosidade que considero saudável e ajuda a testar nossas limitações técnicas.

* Ler métodos de violão mesmo que super simples pro seu nível, tentar já tocar as peças MESMO a primeira vista.

* Ler melodias simples em várias oitavas do violão.

* Trocar bemóis por sustenidos e vice-versa, se a música está em mi maior tentar toca-la em mi b maior por exemplo.

* Compor e/ou fazer arranjos, mesmo que não tenhamos um pingo de "vocação" para isso ajuda a conhecer o braço do instrumento e também trabalhar a leitura/escrita rítmica.

* Copiar partituras "na mão" mesmo que não sejam de violão, quando era mais novo ia muito ao Centro Cultural São Paulo e copiava diversas músicas que achava bacanas, assim você já está treinando percepção e tudo mais, pois escrever o que se toca também é um apoio à memorização.

* Escrever de cor o que você toca, isso ajuda demais pelos mesmos motivos citados acima.

* Estudar harmonia (principalmente), análise, etc. Dessa forma você fica independente da memória apenas digital.

* Pegar melodias com cifras e criar "arranjinhos" mesmo que simples "na hora", um exemplo pegue uma música popular da moda e tente tocar com melodia e baixo, isso ajuda até para fazer arranjos para agradar alunos mais tarde.

* Solfejar, cantar tudo que toca, ouve, lê.

Isso é parte do que fiz e como disse considero minha leitura ao violão bastante bacana, é algo que pelo menos a mim ajuda bastante na hora de estudar, pois é parte tranquila do processo.
eloviolao
Quando as armonias nao sao muito complexas, entender a armonia, ou pelo melo menos a logica dos baixos, me ajuda a memorizar, parece que e o esqueleto, e por cima vai a melodia, que memorizo cantando. Agora, em peças com escrita "contemporanea" eu vou pela digitaçao, nome das notas, seçoes na partitura (memoria visual)... Mas, nao touco muito esse repertorio hoje em dia. A tecnica de aprender a musica por trechos, de frente para traz e de traz para frente funciona bem também.
augusto yamaguti
Música contemporânea é impossivel de se "cantar" certo ?
eloviolao
QUOTE(augusto yamaguti @ Jul 27 2010, 10:19 AM) *
Música contemporânea é impossivel de se "cantar" certo ?


Com certeza, é possivel, mas para memoriza-la, eu preciso tambem de outros elementos, mas do que outra musica que teria uma escrita mais tradicional.


QUOTE(augusto yamaguti @ Jul 27 2010, 10:19 AM) *
Música contemporânea é impossivel de se "cantar" certo ?


Com certeza, é possivel, mas para memoriza-la, eu preciso tambem de outros elementos, mas do que outra musica que teria uma escrita mais tradicional.
Rodrigo Maluf
"... no Music of Memory.."

para memorizá-la é uma loucura!!

FZanon
Na verdade não é não, Rodrigo. Ela tem dois trechos chatos de decorar, o fugato e aquela toccata cheia de pestanas, mas são trechos tão difícies que a gente acaba decorando no proceso normal de estudar. Uma peça como o Changes do Carter é bem mais encrencada.
Esta é uma versão simplificada de nosso conteúdo principal. Para ver a versão completa com maiores informações, formatação e imagens, por favor clique aqui.
Invision Power Board © 2001-2010 Invision Power Services, Inc.