Postado 14 abril 2007 - 15:07
O Eugenio falou em tom de brincadeira, mas não deixa de ser uma ( triste ) realidade. A meu ver a questão não é gostar de se misturar, mas conseguir se misturar.
São raros os violonistas que se inserem em festivais de música que fogem do âmbito do violão.
Só vejo os de muito prestígio e que atigiram uma maturidade musical que transcende ao violão. No mais a coisa se esgota em festivais de violão, cujo objetivo do músico é tocar para os colegas ou admiradores do instrumento, nada contra, se você está começando pode ser até bom , porém não deixa de ser um fator excludente, pois o violão fica sempre como aquele convidado exótico e meio "popular ", que algumas vezes promotores de música de concerto incluem para fazer uma média com a turma.
Reparem como discutimos o repertório, estamos no mais das vezes montando repertório para nossos colegas violonistas, quando o objetivo maior deveria ser o público em geral, pois afinal de contas se você é ou pretende ser profissional tem que levar isso em conta.
É claro que todos almejam o respeito dos iguais, pois afinal de contas é um respeito abalizado, mas o respeito e admiração do público em geral e em particular de música erudita também deveria ser perseguido.
Embora não seja fã de concursos, me agrada o formato de concurso misto, tipo o concurso Eldorado, ou o da TV Cultura de SP, porque reflete de certa forma a imagem e o entendimento que o público e os jurados fazem do nosso instrumento.
Diram alguns, Pô! mas é difícil competir com um pianista por exemplo, que chega lá e manda um concerto de Lizt, tudo bem, mas você tem que saber mostrar as qualidades do violão e não os defeitos, se pretender tocar violão como se toca piano, que a meu ver lamentávelmente com raras exceções é a tendência mundial, realmente fica difícil, pois se mata as qualidades e se realçam as limitações.
Creio que esse é um desafio que se impoem a todos nós, quebrar esse círculo violonístico restritivo e limitador e mostrar o violão como um grande instrumento que é , mas que infelizmente não consegue se impor fora de seu quintal, salvo como disse, raras exceções que deveriam ser mais observadas criteriosamente.
abs
Milton Costa