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cancioneiro popular


25 respostas neste tópico

#1 Bocudo

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Postado 20 julho 2006 - 18:22

eu vi o Zanon falando de cancioneiro popular e agora proponho mais um topico. eh de musica, mas foge um pouco de violao... outro dia recebi um e-mail falando que as musicas infantis em portugues eram muito violentas e com muita coisa assustadora:

atirei o pau no gato, mas o gato nao morreu
samba lele ta doente, ta com a cabeca quebrada
dorme nenem, que a cuca vem pegar
o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou
o marimbondo me mordeu

e tinha varios outros exemplos. apesar de ser um desses e-mails que a gente recebe aos montes e despreza, nao deixava de ter razao. isso acontece em outros paises e linguas tambem ou eh exclusividade nossa?
cortaram minha assinatura porque eu amo a aninha... coitado do Bocudo...

#2 FZanon

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Postado 20 julho 2006 - 20:55

Em todo lugar. Muitas são canções de precaução, outras são apenas representações de situações violentas.
O mesmo se passa com estórias infantis, com assassinatos, vovós engolidas por lobos, etc.
Quem representa não precisa fazer de verdade. É a sublimação de nossos impulsos mais baixos.
Nunca vi ninguém sair por aí dando cacetadas em gatos por causa de Atirei o pau no Gato. É o contrário.

#3 Bocudo

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Postado 20 julho 2006 - 21:16

putz, eh que eu me lembro de ter visto umas cancoes em ingles e elas eram todas inocentes, tipo "brilha, brilha, estrelinha", "rema, rema o barquinho", nenhuma falava de espancar um gato nem em quebrar a cabeca do coitado do samba lele. a mais violenta era uma tal de humpty dumpty caindo de um muro e mais nada... hehe
cortaram minha assinatura porque eu amo a aninha... coitado do Bocudo...

#4 edvalson

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Postado 20 julho 2006 - 21:41

Visualizar PostBocudo, em Jul 20 2006, 09:16 PM, disse:

putz, eh que eu me lembro de ter visto umas cancoes em ingles e elas eram todas inocentes, tipo "brilha, brilha, estrelinha", "rema, rema o barquinho", nenhuma falava de espancar um gato nem em quebrar a cabeca do coitado do samba lele. a mais violenta era uma tal de humpty dumpty caindo de um muro e mais nada... hehe


Dá uma lida no Jung. Tá tudo explicadinho lá...
Senescendo et addiscendo

#5 Bocudo

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Postado 20 julho 2006 - 21:52

Visualizar Postedvalson, em Jul 20 2006, 10:41 PM, disse:

Dá uma lida no Jung. Tá tudo explicadinho lá...

por que voce, que supostamente ja leu jung, nao aproveita a oportunidade e da mais ou menos um geral na explicacao dele pro cancioneiro popular? so nao vale dizer que eh complexo demais e impossivel de simplificar... hehe
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#6 Ricardo Dias

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Postado 21 julho 2006 - 01:02

As alemãs são piores... mas vamos reduzindo, 'tá off-topic demais... vamos arranjar uma música dessas ao violão, por exemplo...
Ricardo Dias
Luthier
Rio de Janeiro
http://uirapurupariu.blogspot.com

#7 edvalson

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Postado 21 julho 2006 - 06:44

Visualizar PostRicardo Dias, em Jul 21 2006, 01:02 AM, disse:

As alemãs são piores... mas vamos reduzindo, 'tá off-topic demais... vamos arranjar uma música dessas ao violão, por exemplo...



Dom Ricardo, como sempre, pertinente. Mas para não ser descortês com o Bocudo, e sem me alongar (exceto antes de estudar...): O cancioneiro popular universal, juntamente com as estórias chamadas 'infantis' se enquadram nos arquétipos comuns ao genero humano. No caso, é uma espécie de rito de passagem para o mundo dos falantes, porque o pavor da morte associa-se inevitavelmente ao conceito de violência. Leva tempo, e não chega para todos de modo atraumático, a noção de que o nascimento implica numa condenação à morte mais adiante. Festeja-se um e chora-se o outro. Ao apresentar a violência, mutilação e morte, em cançonetas e historietas ("A menina dos Fósforos" e "Os Sapatinhos Vermelhos", de Andersen, são típicos, e deixam longe o Lobo Comedor de Vovós) doura-se a pílula, e, segundo Jung e seguidores, há algo de didático aí.
Senescendo et addiscendo

#8 jorge vieira

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Postado 21 julho 2006 - 07:20

Olá.
Esta músicas infantis não são tão "violentas" quanto parecem.
Como em toda arte utiliza-se a linguagem simbólica.
Quando encontramos em músicas infantis trechos que falam, por exemplo, em dor, morte, sofrimento, paixão, guerra, ódio, etc. O objetivo nada mais é do que ensinar que estes fenômenos fazem parte da vida humana, através das canções, elas assimilam isso com naturalidade.
Ao contrário ocorre quando dissemos para uma criança, por exemplo:
Comporte-se ou irá ao médico tomar uma injeção. (isto sim é um exemplo negativo de educação e que deve ser extirpado).
Jorge :thumbsupsmiley:

#9 FZanon

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Postado 21 julho 2006 - 10:14

É que há canções que são engraçadinhas se a gente não prestar atenção na letra, mas são bem barra pesada.
"Samba lelê tá doente
Tá com a cabeça quebrada
Samba lelê precisava
De umas 18 lambadas."
Coitadinho do escravo, deve já ter tomado um croque, tá com dor de cabeça, e o patrão ainda acha que ele faz corpo mole e precisava de umas chicotadas (alguém me disse que Samba é preguiça em bantu).
O segundo verso "ó mulata bonita, diga onde é que você mora etc." pode até parecer mais inocente, mas tudo depende da libido do patrão.
Se eu bem me lembro, entretanto, eu não imaginava samba-lelê como um pretinho e mesmo mais tarde não me passava pela cabeça que poderia ser uma canção sobre escravos.
Mas é o que é, mostra um momento da história e um retrato de nossa cultura. Sou contra os jardins de infência metidos a politicamente corretos que ensinam
"Não atire o pau no gato-to
Porque isso-so
Não se faz-faz-faz
O gatinho-nho
É nosso amigo-go
Não se deve maltratar os animais
Miau!"
Enfim, isso é bem off-topic, desde que não parta pra discussões sobre os méritos de Jung e tal não é motivo pra alerta.
Eu sou, particularmente um grande fã de Bruno Bettelheim, que propõe a educação pela fantasia.

#10 Flavio Gondin

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Postado 21 julho 2006 - 10:53

Zanon, você poderia falar um pouco sobre essa proposta do Bruno Bettelheim? Considerando que muita gente que se forma em música vai mesmo trabalhar com educação, esse tipo de informação é bem pertinente.
Tenha fome de saber como o leão tem fome de alimento.

Contato através do e-mail: "flvgondin arroba gmail ponto com"