Olá pessoal,
gostaria de saber a opinião de vocÊs quanto a obra de Bach interpretada no violão.
Há um tópico sobre o prelúdio da 1007 (cello suite 1) quanto o aspecto violonístico bem relevante.
Ficam algumas questões como:
apagar o baixo ou não? deixar soar os arpejos ou tocá-los de forma melódica e não harmônica (prelúdio da BWV 998 por exemplo)....
Primeiramente, é importante notar que estamos tocando violão e não o instrumento original para qual foi escrita a peça e surgem muitas peculiaridades tanto do instrumento quanto do instrumentista
o prelúdio da 1006 - versão de Konrad Ragossing não traz pausas para o baixo, como o John Williams faz, já o Koonce traz pausas no baixo.
O preludio da 997 (a versão do Segovia traz uma pausa no terceiro compasso), já a versão do Koonce traz uma pausa no segundo compasso
abraço a todos
fabiano
interpretação violonística da obra de Bach
Criado por fabiano borges, 12 Jun 2007 12:54
38 respostas neste tópico
#1
Postado 12 junho 2007 - 12:54
Mestre em Música pela UnB
www.fabianoborges.net
fabianoborgesnet.blogspot.com
www.myspace.com/fabianoborges
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#2
Postado 12 junho 2007 - 20:18
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gostaria de saber a opinião de vocÊs quanto a obra de Bach interpretada no violão.
Pergunta pro Eugenio, ele adora!
O covarde não começa, o fracassado não termina, o vencedor não desiste.
Canal do YouTube: http://www.youtube.c...mariosfernandes
Textos: www.portadapalavra.blogspot.com
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#3
Postado 12 junho 2007 - 20:51
Fabiano, cada caso é um caso.
Eu recomendo que você escute muitas - mas muitas mesmo - obras de Bach com a partitura e se pergunte por quê ele usa com pausas nos baixos em alguns casos e sem as pausas em outros.
Pra resumir a questão ao extremo, o que rola é o seguinte: a música de Bach nunca se afasta da origem dançante. Como toda dança, ela tem o pulso e tem o passo. Estes dois planos estão sempre presentes na polifonia de Bach.
Ele chega a ser obsessivo na precisão da escrita, nesse aspecto. Veja bem que tinta custava caro e ele não tinha tempo de sobra; é muito mais custoso e trabalhoso escrever semínima + pausa que uma mínima. Então ele escreve aquilo porque é essencial para o entendimento do que ele quer.
Se, por exemplo, no Prelúdio da BWV 1006 eu deixar soar a nota pelo compasso todo (ou até além), como um pedal, a textura da música perde a dimensão do pulso. Fica uma espécie de piscina sonora onde as semicolcheis flutuam, sem muita direção rítmica.
Se eu toco como está escrito, semínima e pausa, a pausa produz uma informação nova no 2o. tempo. Imediatamente o ouvinte sabe onde está o segundo tempo da música, não fica flutuando, e o ritmo automaticamente fica mais vivo e alerta. É um daqueles momentos da música em que o silêncio faz mais barulho que o som.
Você vai encontrar este tipo de escrita em praticamente todas as peças de Bach que tocamos ao violão.
Se no harpejo devemos fazer isso, bem... Depende do que você quer com sua transcrição. Você quer que a música tenha pulso ou que fique uma coisa meio vaga?
Eu recomendo que você escute muitas - mas muitas mesmo - obras de Bach com a partitura e se pergunte por quê ele usa com pausas nos baixos em alguns casos e sem as pausas em outros.
Pra resumir a questão ao extremo, o que rola é o seguinte: a música de Bach nunca se afasta da origem dançante. Como toda dança, ela tem o pulso e tem o passo. Estes dois planos estão sempre presentes na polifonia de Bach.
Ele chega a ser obsessivo na precisão da escrita, nesse aspecto. Veja bem que tinta custava caro e ele não tinha tempo de sobra; é muito mais custoso e trabalhoso escrever semínima + pausa que uma mínima. Então ele escreve aquilo porque é essencial para o entendimento do que ele quer.
Se, por exemplo, no Prelúdio da BWV 1006 eu deixar soar a nota pelo compasso todo (ou até além), como um pedal, a textura da música perde a dimensão do pulso. Fica uma espécie de piscina sonora onde as semicolcheis flutuam, sem muita direção rítmica.
Se eu toco como está escrito, semínima e pausa, a pausa produz uma informação nova no 2o. tempo. Imediatamente o ouvinte sabe onde está o segundo tempo da música, não fica flutuando, e o ritmo automaticamente fica mais vivo e alerta. É um daqueles momentos da música em que o silêncio faz mais barulho que o som.
Você vai encontrar este tipo de escrita em praticamente todas as peças de Bach que tocamos ao violão.
Se no harpejo devemos fazer isso, bem... Depende do que você quer com sua transcrição. Você quer que a música tenha pulso ou que fique uma coisa meio vaga?
#4
Postado 12 junho 2007 - 23:30
é verdade, eu já pensei a respeito da questão do pulso em algumas situações.....
mas pode-se argumentar que as vezes fica um pouco vazio se não houver outro baixo nesses situações em que não entra em conflito com a melodia.
agora uma dúvida que eu tenho em relação ao preludio BWV 998 porque não deixar soar os acordes
há pessoas que fazem assim e outras que os tocam como melodias. Ex:
Logo na frase inicial forma um acorde de sol
deixa as notas anteriormente tocadas formando um acorde sol ou não?
bom, essa é uma das inúmeras interpretações e dúvidas que surgem a respeito da obra de Bach ao violão.
obrigado pelas orientações
abraço
Fabiano
mas pode-se argumentar que as vezes fica um pouco vazio se não houver outro baixo nesses situações em que não entra em conflito com a melodia.
agora uma dúvida que eu tenho em relação ao preludio BWV 998 porque não deixar soar os acordes
há pessoas que fazem assim e outras que os tocam como melodias. Ex:
Logo na frase inicial forma um acorde de sol
deixa as notas anteriormente tocadas formando um acorde sol ou não?
bom, essa é uma das inúmeras interpretações e dúvidas que surgem a respeito da obra de Bach ao violão.
obrigado pelas orientações
abraço
Fabiano
FZanon, em Jun 12 2007, 08:51 PM, disse:
Fabiano, cada caso é um caso.
Eu recomendo que você escute muitas - mas muitas mesmo - obras de Bach com a partitura e se pergunte por quê ele usa com pausas nos baixos em alguns casos e sem as pausas em outros.
Pra resumir a questão ao extremo, o que rola é o seguinte: a música de Bach nunca se afasta da origem dançante. Como toda dança, ela tem o pulso e tem o passo. Estes dois planos estão sempre presentes na polifonia de Bach.
Ele chega a ser obsessivo na precisão da escrita, nesse aspecto. Veja bem que tinta custava caro e ele não tinha tempo de sobra; é muito mais custoso e trabalhoso escrever semínima + pausa que uma mínima. Então ele escreve aquilo porque é essencial para o entendimento do que ele quer.
Se, por exemplo, no Prelúdio da BWV 1006 eu deixar soar a nota pelo compasso todo (ou até além), como um pedal, a textura da música perde a dimensão do pulso. Fica uma espécie de piscina sonora onde as semicolcheis flutuam, sem muita direção rítmica.
Se eu toco como está escrito, semínima e pausa, a pausa produz uma informação nova no 2o. tempo. Imediatamente o ouvinte sabe onde está o segundo tempo da música, não fica flutuando, e o ritmo automaticamente fica mais vivo e alerta. É um daqueles momentos da música em que o silêncio faz mais barulho que o som.
Você vai encontrar este tipo de escrita em praticamente todas as peças de Bach que tocamos ao violão.
Se no harpejo devemos fazer isso, bem... Depende do que você quer com sua transcrição. Você quer que a música tenha pulso ou que fique uma coisa meio vaga?
Eu recomendo que você escute muitas - mas muitas mesmo - obras de Bach com a partitura e se pergunte por quê ele usa com pausas nos baixos em alguns casos e sem as pausas em outros.
Pra resumir a questão ao extremo, o que rola é o seguinte: a música de Bach nunca se afasta da origem dançante. Como toda dança, ela tem o pulso e tem o passo. Estes dois planos estão sempre presentes na polifonia de Bach.
Ele chega a ser obsessivo na precisão da escrita, nesse aspecto. Veja bem que tinta custava caro e ele não tinha tempo de sobra; é muito mais custoso e trabalhoso escrever semínima + pausa que uma mínima. Então ele escreve aquilo porque é essencial para o entendimento do que ele quer.
Se, por exemplo, no Prelúdio da BWV 1006 eu deixar soar a nota pelo compasso todo (ou até além), como um pedal, a textura da música perde a dimensão do pulso. Fica uma espécie de piscina sonora onde as semicolcheis flutuam, sem muita direção rítmica.
Se eu toco como está escrito, semínima e pausa, a pausa produz uma informação nova no 2o. tempo. Imediatamente o ouvinte sabe onde está o segundo tempo da música, não fica flutuando, e o ritmo automaticamente fica mais vivo e alerta. É um daqueles momentos da música em que o silêncio faz mais barulho que o som.
Você vai encontrar este tipo de escrita em praticamente todas as peças de Bach que tocamos ao violão.
Se no harpejo devemos fazer isso, bem... Depende do que você quer com sua transcrição. Você quer que a música tenha pulso ou que fique uma coisa meio vaga?
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www.fabianoborges.net
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#5
Postado 13 junho 2007 - 11:36
Zanon, e no prelúdio (do prelúdio, fuga e allegro)?
O que fazer com todas aquelas pausas? Nunca ouvi alguém respeitá-as literalmente.
O que fazer com todas aquelas pausas? Nunca ouvi alguém respeitá-as literalmente.
#6
Postado 13 junho 2007 - 11:51
Eu respeito.
No alaúde várias pessoas respeitam, o Lutz Kirchhof por exemplo.
Esse é daqueles prelúdios que ficam prejudicados por uma idéia sonora mais opulenta. Eu acho que, pra inicio de conversa, ele não deveria soar tão Jesus Alegria dos Homens quanto fazem por aí. Quando a gente respeita todas as pausas, ele automaticamente fica mais rápido.
Fabiano, o acorde está lá, se vc vai deixar soar ou apagar não muda o fato de que três notas consecutivas que pertencem a um acorde são registradas como pertencentes a um acorde harpejado... Como não gosto de chover no molhado, prefiro tocar detaché.
No alaúde várias pessoas respeitam, o Lutz Kirchhof por exemplo.
Esse é daqueles prelúdios que ficam prejudicados por uma idéia sonora mais opulenta. Eu acho que, pra inicio de conversa, ele não deveria soar tão Jesus Alegria dos Homens quanto fazem por aí. Quando a gente respeita todas as pausas, ele automaticamente fica mais rápido.
Fabiano, o acorde está lá, se vc vai deixar soar ou apagar não muda o fato de que três notas consecutivas que pertencem a um acorde são registradas como pertencentes a um acorde harpejado... Como não gosto de chover no molhado, prefiro tocar detaché.
#7
Postado 13 junho 2007 - 15:23
Galera, deixa eu dizer uma coisa. A quastão não é deixar ou não soar aqui ou ali. Isso não são regras. A cima de tudo, é necessário entender o discurso e só então é possivel tocar bem.
A decisão é infinatamente mais complexa do que decidir o que apagar. É exatamente como no discurso falado. Faz algum sentido um ator perguntar se no momento em que ele diz "ser ou não ser" se o não tem que ser mais forte, ou mais longo? Existem milhões de maneiras de falar. O que vai definir se está bem interpretado é a compreensão de toda a obra. É sentar e refletir sobre a frase, estudar e entender: que diabos estou falando? Depois disso se experimenta, ou até o resultado sai sozinho.
No caso de bach é analisar harmonia, forma, estudar as teorias da época, ouvir muita musica barroca e daí as peças se encaixam. Não existe fórmula de báscara para intepretação musical.
Grande abraço.
A decisão é infinatamente mais complexa do que decidir o que apagar. É exatamente como no discurso falado. Faz algum sentido um ator perguntar se no momento em que ele diz "ser ou não ser" se o não tem que ser mais forte, ou mais longo? Existem milhões de maneiras de falar. O que vai definir se está bem interpretado é a compreensão de toda a obra. É sentar e refletir sobre a frase, estudar e entender: que diabos estou falando? Depois disso se experimenta, ou até o resultado sai sozinho.
No caso de bach é analisar harmonia, forma, estudar as teorias da época, ouvir muita musica barroca e daí as peças se encaixam. Não existe fórmula de báscara para intepretação musical.
Grande abraço.
#8
Postado 13 junho 2007 - 16:34
Sim, livi, o problema é que rola muito discurso do tipo "os alaudistas deixam soar, então é assim que se toca', o que não verdade. Nem tocamos em interpretação ainda, isso é só leitura por enquanto.
#9
Postado 13 junho 2007 - 17:43
Se a fonte sonora não é uma fonte segura, o que existe de material como uma fonte segura de como se deve interpretar, o mais próximo possível, o estilo da época de Bach? Nunca vi nenhum material que desse algum caminho, só história.
Ainda dentro desse assunto, a questão da ornamentação na música barroca é extremamente importante também. Trinados em duas cordas é imitação do cravo? pode-se aplicar também nas músicas transcritas de violino, cello ou alaúde? Existe tb algum material sobre ornamentação na música barroca?
Abraços!
Ainda dentro desse assunto, a questão da ornamentação na música barroca é extremamente importante também. Trinados em duas cordas é imitação do cravo? pode-se aplicar também nas músicas transcritas de violino, cello ou alaúde? Existe tb algum material sobre ornamentação na música barroca?
Abraços!
#10
Postado 13 junho 2007 - 21:22
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Alvaro Henrique - http://www.alvarohenrique.com
Associação de Violão de Brasília (BRAVIO): http://www.bravio.blogspot.com - Confira: http://www.impostometro.org.br/
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