Prezados do Forum,
Eu gosto muito de ouvir música de cravo. Nesse instrumento, cujo repertório se presta muita a transcrições para violão, devido ao som relativamente pequeno (não considerando os grandes cravos e o uso do registro com dois teclados soando acoplados), de pouca duração (daí uso de muitos ornamentos e trilos), e mesmo o timbre que em certos momentos se assemelha ao violão, por exemplo quando o cravo usa o registro de alaúde, que soa como se você um “pizzicato”)
Ocorre que o “pizzicato” no violão não é um coisa muito fácil de se fazer, pois ele cria um limitação para mão direita.
Eu estava ouvindo um CD incrível que eu comprei da grande Wanda Landowska, (gravações restauradas das décadas de 40 e 50) tocando umas peças lindas onde usa muito o registro de alaúde ou pizzicato, e fiquei imaginando que algumas poderiam ser transcritas para violão e seria interesse utilizar o pizzacato para fazer o mesmo contraste obtido com o registro do cravo. Contudo, devido a algumas passagens mais longa onde a mão direita precisaria ter mais liberdade, a execução me parece que seria inviável.
Eu fiz essa introdução para chegar na seguinte pergunta, existiria ou, se não existe, seria possível a utilização, no violão, de uma espécie de surdina, à semelhança da usada no violino (só que no violino ela é usada para diminuir o volume, já que o “pizzicato” no violino é algo naturalmente produzido com o dedilhar das cordas, e de onde se originou o nome do efeito para os outros instrumentos de corda) , que pudesse ser facilmente colocada e retirada, talvez junto ao cavalete, que produzisse o efeito de pizzicato, porém dando liberdade à mão direita. Se isso fosse possível ampliaria os recursos tímbricos do instrumento, em qualquer tipo de repertório, desde de a música antiga até contemporâneo, erudita ou popular.
Espero que essa minha idéia não soe muito absurda ou algo com querer reinventar a roda, mas gostaria da opinião dos colegas, em especial luthiers e músicos profissionais.
Abraços,
Tárrega
"Pizzicato" no violão
Criado por Alberto, 25 Jul 2006 20:59
7 respostas neste tópico
#1
Postado 25 julho 2006 - 20:59
#2
Postado 25 julho 2006 - 21:14
Acho que socando uma flanela (que coisa chinelona) entre o tampo e as cordas, junto ao cavalete, já dá para quebrar o galho. Agora um troço de nível, portátil, que dê para tirar e pôr num instante, já seria uma invenção...
A propósito, sou a favor de que só se usasse nas partituras o termo "étouffé" ou "apagado", porque no fundo o toque normal do violão já é "pizzicato"
A propósito, sou a favor de que só se usasse nas partituras o termo "étouffé" ou "apagado", porque no fundo o toque normal do violão já é "pizzicato"
#3
Postado 25 julho 2006 - 23:41
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Alvaro Henrique - http://www.alvarohenrique.com
Associação de Violão de Brasília (BRAVIO): http://www.bravio.blogspot.com - Confira: http://www.impostometro.org.br/
Associação de Violão de Brasília (BRAVIO): http://www.bravio.blogspot.com - Confira: http://www.impostometro.org.br/
#4
Postado 25 julho 2006 - 23:50
Olá Alberto,
Não tem nada de absurdo no que você falou.
Eu já transcrevi uma Sonata de Bach, e por experimento usei um pedaço de esponja de louça por baixo dos bordões, bem próximo ao cavalete para fazer o efeito em um dos movimentos. Ficou interessante.
Porém não sei extamente o que pretende tocar. Cada caso é um caso.
Certa vez toquei uma peça de Haendel onde queria obter o mesmo efeito, mas bastou usar o dedo polegar mais velado, sem unha e bem próximo à 12º casa.
O Brouwer tem a famosa Paisage cubana con rumba, para quatro violões, onde ele sugere o efeito na 2º secção da obra, e tem uma grande pausa para preparar os violões.
Não tem nada de absurdo no que você falou.
Eu já transcrevi uma Sonata de Bach, e por experimento usei um pedaço de esponja de louça por baixo dos bordões, bem próximo ao cavalete para fazer o efeito em um dos movimentos. Ficou interessante.
Porém não sei extamente o que pretende tocar. Cada caso é um caso.
Certa vez toquei uma peça de Haendel onde queria obter o mesmo efeito, mas bastou usar o dedo polegar mais velado, sem unha e bem próximo à 12º casa.
O Brouwer tem a famosa Paisage cubana con rumba, para quatro violões, onde ele sugere o efeito na 2º secção da obra, e tem uma grande pausa para preparar os violões.
Alisson Alípio
www.alissonalipio.blogspot.com
www.alissonalipio.blogspot.com
#5
Postado 26 julho 2006 - 10:50
Já vi gente usando uma espuma colocada entre as cordas e o tampo, próximo ao cavalete. Vi o Quaternaglia usar algo similar nesta peça do Brouwer citada pelo Alisson.
Outro recurso que achei muito interessante foi um violonista que tocava com a mão direita em posição mais ou menos normal e próxima do cavalete, e esticava o mindinho até o cavalete abafando as notas e fazendo o pizzicato. Com isso ele conseguia tocar em pizzicato a melodia das notas agudas e os baixos ele tocava sem pizzicato. Ficava uma sonoridade interessante. Faz muito tempo e lembro que não gostei muito das interpretações (era exatamente Bach), por isso não gravei o nome do violonista. Porém gostei da idéia e uso esse recurso em algumas passagens em pizzicato que encontro pela frente.
Quanto a usar este recurso para imitar o cravo, acho que até pode ser usado em alguns momentos, mas concordo com o Álvaro. Prefiro outros recursos de variação dinâmica e timbre, staccato etc. Como um Presti-Lagoya na sua gravação da Chacone do Haendel (quem me dera conseguir fazer um décimo do que eles fizeram aí...).
Outro recurso que achei muito interessante foi um violonista que tocava com a mão direita em posição mais ou menos normal e próxima do cavalete, e esticava o mindinho até o cavalete abafando as notas e fazendo o pizzicato. Com isso ele conseguia tocar em pizzicato a melodia das notas agudas e os baixos ele tocava sem pizzicato. Ficava uma sonoridade interessante. Faz muito tempo e lembro que não gostei muito das interpretações (era exatamente Bach), por isso não gravei o nome do violonista. Porém gostei da idéia e uso esse recurso em algumas passagens em pizzicato que encontro pela frente.
Quanto a usar este recurso para imitar o cravo, acho que até pode ser usado em alguns momentos, mas concordo com o Álvaro. Prefiro outros recursos de variação dinâmica e timbre, staccato etc. Como um Presti-Lagoya na sua gravação da Chacone do Haendel (quem me dera conseguir fazer um décimo do que eles fizeram aí...).
#6
Postado 26 julho 2006 - 11:17
Outros que fizeram um bom uso desses efeitos de "pizzicato" são os pinta do Trio Campanella, na transcrição da Suite Iberia.
Aliás, eles editaram o arranjo, ou pretendem fazê-lo? Ou vão ficar de segredinho
?
Aliás, eles editaram o arranjo, ou pretendem fazê-lo? Ou vão ficar de segredinho
#7
Postado 28 julho 2006 - 16:48
Alisson Alípio, em Jul 26 2006, 03:50 AM, disse:
O Brouwer tem a famosa Paisage cubana con rumba, para quatro violões, onde ele sugere o efeito na 2º secção da obra, e tem uma grande pausa para preparar os violões.
Sólo por puntualizar: El efecto de sordina en esta obra es desde el principio. La pausa es para quitar los apagadores, por suerte más fácil y rápido que colocarlos
Juan Carlos
#8
Postado 28 julho 2006 - 16:57
Bem lembrado Juan!
A música já começa com o efeito até a grande pausa, e não na 2º secção como eu falei.
Um abraço!
Alisson Alípio
A música já começa com o efeito até a grande pausa, e não na 2º secção como eu falei.
Um abraço!
Alisson Alípio
Alisson Alípio
www.alissonalipio.blogspot.com
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