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17/08/2007 - 10:15
Jovens de Belém aprendem a arte da luteria
Silvaneide Guedes
Fernando Nobre
Com a luteria, jovens de baixa renda têm oportunidade de entrar no mercado Belém - Jovens de baixa renda de Belém estão aprendendo a produzir instrumentos musicais graças ao Timbres da Amazônia, projeto realizado pelo Instituto Criança Vida desde abril deste ano, na Escola Salesiano do Trabalho. A proposta é formar profissionais qualificados, que terão a oportunidade de entrar no mercado de trabalho através de uma das mais antigas artes. O projeto inclui ainda aulas de música, com habilitação em violão. O projeto foi pensado em 2006, mas as aulas começaram apenas em abril deste ano, quando os primeiros alunos, na faixa etária entre 16 e 24 anos, começaram a ter aulas de música. O curso é ministrado por monitores bolsistas da Escola da Música da UFPA. Durante quatro dias na semana, eles têm aula de teoria musical e de prática de violão. Trata-se de uma iniciação, mas a intenção é dar opções para que eles possam futuramente chegar ao mercado.
Neste primeiro ano, o curso ainda não é profissionalizante, porque para tanto ainda é precisa de autorização do Ministério da Educação. "É como um curso livre. Mas já estamos nos movimentando para que seja profissionalizante", informa o secretário executivo do Criança Vida, Rui Martins.
O curso de luteria começou em agosto. Com duração de dois anos, nele os jovens aprendem noções de marcenaria, história da luteria, antes de chegarem a fabricar violões. A madeira utilizada é doada por serrarias da Região Metropolitana de Belém, e tem como fator positivo a certificação.
As aulas são as primeiras de Belém a terem um formato didático, ministradas em uma escola por um profissional experiente na área. O luthier Hugo Martinez já trabalhou em outros estados brasileiros e até fora do País. Recentemente, ele abriu uma escola de luteria em Santarém, oeste do Pará, de onde veio para planejar o curso em Belém.
A previsão é atender 80 jovens, sendo 40 em cada modalidade. Os alunos são selecionados pela coordenação da Escola Salesiano do Trabalho, obedecendo aos critérios de participação usados pela instituição, que tem tradição na profissionalização de jovens. Um deles é Mariana Oliveira, que está inscrita no curso de luteria. "Eu entrei no curso por acaso, mas estou adorando, pois as aulas são ótimas. Além disso, eu estou aprendendo uma profissão", comenta a adolescente de 15 anos, aluna da Escola. Já Brian Nascimento está no curso por paixão. "Eu tenho uma banda. Gosto muito de música e sempre tive vontade de aprender a fazer instrumentos", observa. Para ele, uma das principais vantagens de fazer o curso de luteria é aprender a conhecer os instrumentos. "Agora, quando for comprar um instrumento, já sei como fazer sem prejuízos.
Sebrae - Desde o último dia 13, o projeto 'Timbres da Amazônia' conta com um reforço no caixa com a entrada do Sebrae no Pará como entidade parceira. A instituição repassou R$ 40 mil para o Instituto Criança Vida. "O Sebrae firmou esta parceria porque acredita no importante papel que o projeto tem para a geração de renda para esses jovens", explica o diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Hildegardo Nunes. Para ele, além do fator social, o Timbres da Amazônia é importante para a economia do Estado. "É uma maneira de fazer com que a nossa madeira possa sair daqui na forma de instrumentos musicais, o que, talvez, seja uma das mais nobres utilidades dadas a ela", acrescenta Hildegardo.
Segundo a presidente do Criança Vida Rosangela Maiorana Kzan, com esse recurso o projeto está garantido até o final do ano. "Essa parceria nos dará condições de manter as atividades até o final de 2007, garantindo o pagamento dos instrutores". Rosangela lembra que o Instituto continuará recebendo ajuda de entidades interessadas em apoiar o projeto.
A continuidade de parcerias, como a firmada com o Sebrae, também será muito importante, segundo Rui Martins. "Nossa idéia é que esses jovens possam ter suas próprias fábricas de instrumentos no final do curso. Nesse sentido, o Sebrae será muito importante para a criação de uma cooperativa". Acredita.
O 'Timbres da Amazônia' conta ainda com a parceria da Empreenda-Associação de Empreendedores Sociais da Amazônia Tapajônica, do Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará












