Abraços e bons estudos.
Ornamentação.
Criado por Alesson, 31 Ago 2006 20:43
11 respostas neste tópico
#1
Postado 31 agosto 2006 - 20:43
Gostaria de saber a opinião dos amigos do fórum sobre o uso da ornamentação.Ao mesmo tempo que a ornamentação em trechos de uma obra pode embelezar e dar um identidade a mais a obra, o que acontece com o uso exagerado desse efeito violonistico.
Abraços e bons estudos.
Abraços e bons estudos.
#2
Postado 01 setembro 2006 - 00:05
Depende muito do autor, período e de onde que é a peça.
Eu acho que ornamentar é como enfeitar uma arvore de natal. Você põe as bolas pra ela não ficar vazia. Mas tem que tomar cuidado pra não colocar muitas bolas e pisca-piscas porque a arvore pode cair.
Tambem depende muito do autor (nacionalidade por exemplo), período que foi composta, etc...
Pra começar é legal ouvir e pesquisar um pouco de Rameau e Couperin, porque permite uma quantidade de ornamento maior. Scarlatti já é pra ser um pouquinho mais sério, e ao meu ver, Bach é mais sério ainda por exemplo.
Mas é muito questão de gosto tambem, eu no natal gosto de ver arvore de natal cheio de cartãozinho, pisca-pisca que toca musiquinha e presente em baixo...hehe
Abraços!
Amadeu
Eu acho que ornamentar é como enfeitar uma arvore de natal. Você põe as bolas pra ela não ficar vazia. Mas tem que tomar cuidado pra não colocar muitas bolas e pisca-piscas porque a arvore pode cair.
Tambem depende muito do autor (nacionalidade por exemplo), período que foi composta, etc...
Pra começar é legal ouvir e pesquisar um pouco de Rameau e Couperin, porque permite uma quantidade de ornamento maior. Scarlatti já é pra ser um pouquinho mais sério, e ao meu ver, Bach é mais sério ainda por exemplo.
Mas é muito questão de gosto tambem, eu no natal gosto de ver arvore de natal cheio de cartãozinho, pisca-pisca que toca musiquinha e presente em baixo...hehe
Abraços!
Amadeu
#3
Postado 02 setembro 2006 - 10:00
Bom essa história vai longe. Pelo que li da resposta do Amadeu, dá a impressão que se o compositor é sério não se deve ornamentar. Não é isso.
Acontece que alguns compositores tinha o hábito (estranho para a épca) de já escrever coisas como notas de passagem, apojaturas etc... Bach era um desses. Então não é o hábito colocar um monte de coisas na música dele, mas se você julga que o efeito é superior, e se faz isso com um certo equilíbrio, então sem problemas.
Esse assunto é cheio de leis e lendas, mas no fundo é bom uvir gravações de pessoas mais estudadas pra dar uma clareada. Um cara que, na minha opinião, tem um puta bom gosto pra fazer isso é o Paul O´dette, alaudista. O Dowland dele pra mim é quase perfeito. Não só pela ornamentação, claro.
Acontece que alguns compositores tinha o hábito (estranho para a épca) de já escrever coisas como notas de passagem, apojaturas etc... Bach era um desses. Então não é o hábito colocar um monte de coisas na música dele, mas se você julga que o efeito é superior, e se faz isso com um certo equilíbrio, então sem problemas.
Esse assunto é cheio de leis e lendas, mas no fundo é bom uvir gravações de pessoas mais estudadas pra dar uma clareada. Um cara que, na minha opinião, tem um puta bom gosto pra fazer isso é o Paul O´dette, alaudista. O Dowland dele pra mim é quase perfeito. Não só pela ornamentação, claro.
André Priedols
www.andrepriedols.com
www.discordas.wordpress.com
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#4
Postado 02 setembro 2006 - 11:58
Amadeu Rosa, em Sep 1 2006, 12:05 AM, disse:
Pra começar é legal ouvir e pesquisar um pouco de Rameau e Couperin, porque permite uma quantidade de ornamento maior. Scarlatti já é pra ser um pouquinho mais sério, e ao meu ver, Bach é mais sério ainda por exemplo.
Não senhor, hehe. Puxa, o Bach era um cara muito sorridente tambem, rs. Só disse que não dá pra por a Quantidade de ornamentos que se põe nas obras de Rameau na obra de Bach. Eu não imagino "O Cravo bem Temperado" todo ornamentado, e nem um couperin com a quantidade de ornamentos de "O Cravo bem Temperado".
É só dar uma boa observada. Ornamentação em Dowland é uma coisa, Scarlatti, Rameau e COuperin outra, Bach outra tambem. Ornamentar igual seria como botar uma ornamentação Barroca numa peça do período Classico, onde a ornamentação é muito diferente, e a do classico em peças romanticas.
Bom, como na velha história: Tudo oque eu escrevi pode ser bobagem. rs.
Abraços!
Amadeu
#5
Postado 02 setembro 2006 - 15:28
.
Alvaro Henrique - http://www.alvarohenrique.com
Associação de Violão de Brasília (BRAVIO): http://www.bravio.blogspot.com - Confira: http://www.impostometro.org.br/
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#6
Postado 02 setembro 2006 - 17:06
Bom, como era na Renascença ou não é aquela coisa: não adianta pegar a forminha pronta e querer colocar a música em cima. O resultado musical ainda é o que manda. Por isso citei o O´Dette, que é um nome bastante respeito no que diz respeito a esses assuntos. Ele tem algumas dezenas de artigos publicados sobre o assunto. Provavelmente já teve contato com todos os tratados da épca que sobraram e essas coisas, e pegou toda essa informação e passou pelo bom gosto musical enorme que ele tem. Por isso que para os estudantes que têm de estudar a "do Torroba" eu julgo ser uma ótima opção ouvir grandes intérpretes. Ali se encontra toda a pesquisa transformada em música.
Óbvio que não é a única maneira. Se o cara combina audição com boas leituras a coisa funciona. Além das fontes citadas eu acrescentaria agumas teses que têm sido defendidas. Achei uma na Unicamp recentemente sobre a interpretação da música de Dowland, em especial das danças, que é bem interessante. Se lembrar eu trago o nome pra cá, e ai quem se interessar pode ir buscar.
Alvaro, respeito a tua idéia quanto a adequar a execução ao tipo de público, mas discordo totalmente dela. Se a gente for ficar adequando quantidade de ornamentos pela platéia, o nosso ideal de interpretação fica perdido. Se eu vou tocar num hospital pra criancinhas, eu toco de um jeito. Ai na noite seguinte vou tocar numa Faculdade de música, toco de outro? Como assim? Toco do jeito que eu julgo convincente seja pra minha professora ou pra minha avó, e espero que a mensagem toque ambas na mesma intensidade, ainda que de formas diferentes.
Amadeu, eu sei que você não pensa assim, dã! hehe É que foi a impressão que ficou, e então aproveitei o gancho pra puxar o tópico de novo, já que ele tava esquecidinho lá em baixo, e acho que esse assunto é bem interessante.
Óbvio que não é a única maneira. Se o cara combina audição com boas leituras a coisa funciona. Além das fontes citadas eu acrescentaria agumas teses que têm sido defendidas. Achei uma na Unicamp recentemente sobre a interpretação da música de Dowland, em especial das danças, que é bem interessante. Se lembrar eu trago o nome pra cá, e ai quem se interessar pode ir buscar.
Alvaro, respeito a tua idéia quanto a adequar a execução ao tipo de público, mas discordo totalmente dela. Se a gente for ficar adequando quantidade de ornamentos pela platéia, o nosso ideal de interpretação fica perdido. Se eu vou tocar num hospital pra criancinhas, eu toco de um jeito. Ai na noite seguinte vou tocar numa Faculdade de música, toco de outro? Como assim? Toco do jeito que eu julgo convincente seja pra minha professora ou pra minha avó, e espero que a mensagem toque ambas na mesma intensidade, ainda que de formas diferentes.
Amadeu, eu sei que você não pensa assim, dã! hehe É que foi a impressão que ficou, e então aproveitei o gancho pra puxar o tópico de novo, já que ele tava esquecidinho lá em baixo, e acho que esse assunto é bem interessante.
André Priedols
www.andrepriedols.com
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#7
Postado 02 setembro 2006 - 17:49
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Alvaro Henrique - http://www.alvarohenrique.com
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#8
Postado 02 setembro 2006 - 19:18
Sempre é bom sabermos para quem estamos tocando. A música ao vivo tem de ser realimentada. Ainda mais dado o declínio da popularidade do violão clássico. Se o público não gostar não vai mais querer assistir nenhum recital. Tocar em uma universidade p. ex. é bem diferente, o público jamais deixará de ouvir violão.
O programa tb é importante. Se vc quer atrair público para o violão é bom apresentar algo que este público conheça, sem apelar é claro, e junto mostrar peças clássicas de compreensão mais fácil.
O programa tb é importante. Se vc quer atrair público para o violão é bom apresentar algo que este público conheça, sem apelar é claro, e junto mostrar peças clássicas de compreensão mais fácil.
Saludos
El Cabong
El Cabong
#9
Postado 02 setembro 2006 - 19:40
Alvaro, entendo que o que você propoe não é prostitução, e sim uma coisa mais sutil. Mas ainda assim discordo. O que você sugere que seja feito é algo que discordo totalmente.
Se a minha visão de como uma peça deve ser é x, e eu sentir que não tem nada a ver com o publico do lugar onde vu tocar, então prefiro a segunda opção, que é trocar a peça do programa.
Seria como pegar um Garoto para tocar e limpar os acordes, pra ficar mais ascessível.
Pode ser que alguma dessas vezes eu me arrisque a tocar algo que não seja compreendido pelo público, mas esse é O risco que deve fazer parte do intérprete. Você acha que o Segovia teria a grandeza que ele tem se antes de cada recital ele visse quem estava presente e pensasse: "hmm, esse especialista não gosta que se arpeje acordes em Bach, esse diz que não pode usar apoioi..."
Ele não teria metade da grandeza que ele tem. Ser um comunicador também envolve construir uma imagem, uma forma de comunicar.
Oi Cabong, não acho que seja essa a melhor forma de criar um público´para violão clássico.
Se a gente tocar só música simples e fácil de captar, vamos criar um público pra esse tipo de música, e ai nunca vai surgir um garoto afim de ouvir o Alexandre de Faria.
Se a minha visão de como uma peça deve ser é x, e eu sentir que não tem nada a ver com o publico do lugar onde vu tocar, então prefiro a segunda opção, que é trocar a peça do programa.
Seria como pegar um Garoto para tocar e limpar os acordes, pra ficar mais ascessível.
Pode ser que alguma dessas vezes eu me arrisque a tocar algo que não seja compreendido pelo público, mas esse é O risco que deve fazer parte do intérprete. Você acha que o Segovia teria a grandeza que ele tem se antes de cada recital ele visse quem estava presente e pensasse: "hmm, esse especialista não gosta que se arpeje acordes em Bach, esse diz que não pode usar apoioi..."
Ele não teria metade da grandeza que ele tem. Ser um comunicador também envolve construir uma imagem, uma forma de comunicar.
Oi Cabong, não acho que seja essa a melhor forma de criar um público´para violão clássico.
Se a gente tocar só música simples e fácil de captar, vamos criar um público pra esse tipo de música, e ai nunca vai surgir um garoto afim de ouvir o Alexandre de Faria.
André Priedols
www.andrepriedols.com
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#10
Postado 02 setembro 2006 - 22:44
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Alvaro Henrique - http://www.alvarohenrique.com
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