A linguagem de um instrumento
Criado por Daniel Medeiros RS, 23 Jan 2009 16:06
39 respostas neste tópico
#1
Postado 23 janeiro 2009 - 16:06
Oi pessoal,
estava pensando há alguns minutos atrás: o violão, assim como qualquer instrumento musical possui uma linguagem própria? Caso sim, o que catacteriza essa linguagem? Os recursos do próprio instrumento? Estes recursos como parte da linguagem são conseqüências da estrutura física do instrumento?
Abraço
estava pensando há alguns minutos atrás: o violão, assim como qualquer instrumento musical possui uma linguagem própria? Caso sim, o que catacteriza essa linguagem? Os recursos do próprio instrumento? Estes recursos como parte da linguagem são conseqüências da estrutura física do instrumento?
Abraço
Daniel Ribeiro Medeiros
Bacharel em Música - Habilitação em Violão pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Bacharel em Música - Habilitação em Violão pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
#2
Postado 23 janeiro 2009 - 16:20
Antes que alguém responda, acrescento uma pimenta: parte da linguagem específica dele está se perdendo por conta de uma geração que privilegia o volume, tanto músicos quanto luthieres. Se isso será bom ou ruim, não posso afirmar - acho muito ruim.
#3
Postado 23 janeiro 2009 - 16:49
Ricardo Dias, em Jan 23 2009, 05:20 PM, disse:
Antes que alguém responda, acrescento uma pimenta: parte da linguagem específica dele está se perdendo por conta de uma geração que privilegia o volume, tanto músicos quanto luthieres. Se isso será bom ou ruim, não posso afirmar - acho muito ruim.
Bom Ricardo,
encontrei isso no Dicionário Brasileiro da Língua Brasileira da Encyclopaedia Britannica do Brasil: " 2. Conjunto de sinais falados, escritos ou gesticulados, de que serve o homem para exprimir suas idéias e sentimentos. "
Como as idéias, na minha visão, são frutos ou conseqüências dos contextos em que vivem, será que essa perda de que falas não possa ser algo intimamente relacionado a isso?
Aliás, seja mais específico!! hehehe Me passa muita coisa na cabeça sobre a perda específica de que comentas.
Abraço
Daniel Ribeiro Medeiros
Bacharel em Música - Habilitação em Violão pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Bacharel em Música - Habilitação em Violão pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
#4
Postado 23 janeiro 2009 - 16:52
Ricardo Dias, em Jan 23 2009, 05:20 PM, disse:
(...) parte da linguagem específica dele está se perdendo (...)
Não acho que esteja se perdendo. Está mudando. Evoluindo. E sempre esteve mudando, desde que foi inventado, não é ?
Rodrigo
Quando digo evoluindo, digo num sentido mais amplo, não necessariamente melhora nem piora, pois isso é um julgamento subjetivo. É uma mudança para se adequar a um novo momento, o tempo vai filtrando os erros e fortalecendo os acertos. Ou seria o contrário ?
#5
Postado 23 janeiro 2009 - 16:57
Está mudando, não necessariamente evoluindo. perdemos timbres e cores, e ganhamos um volume duvidoso, que jamais será equiparável a pianos, cellos e violinos. Me pergunto o porquê disso.
#6
Postado 23 janeiro 2009 - 17:01
Acho que existe linguagem de um instrumento, e por isso que muitas vezes comentamos que esta ou aquela peça é ou não idiomática.
No caso do violão, ela é definida pelas possibilidades que o instrumento oferece para o interprete realizar certas coisas, e a sonoridade que ele tem.
No primeiro caso, sabemos que escalas diatonicas super rápidas, como no piano, são difíceis. Por outro lado, dá pra fazer um glissando cromático que é uma beleza. Acordes com terças superpostas não cabem. Condução a 3 ou 4 vozes é complicado. Grandes saltos são complexos, mas por outro lado, é muito fácil fazer notas repetidas. E assim vai.
No segundo caso, pode-se explorar a baixa sustentação do violão para gerar recursos de articulação muito especificos. Por outro lado, algo que só funcione com grande sustentação não vai se dar bem no instrumento. Dá pra ter uma peça que explora bem as texturas de timbre, diferenças entre cordas soltas e presas, acordes com desenho de mão esquerda em paralelo como no estudo 1 do Villa Lobos. Coisas que em outros instrumentos é mais complicado. Por outro lado, tonalidades como Eb, Ab, F, são complicadas tanto na execução como na sonoridade (a ausencia de reforço simpático enfraquece as notas).
Enfim, isso acaba levado os compositores a adotarem certos caminhos e evitarem outros, e influi com certeza na linguagem do instrumento.
No meu ponto de vista, ninguém foi tão feliz ao escrever para violão quanto Villa Lobos. A união de uma linguagem idiomática e com qualidade musical nos estudos e prelúdios ainda serve de lição pra muita gente hoje.
No caso do violão, ela é definida pelas possibilidades que o instrumento oferece para o interprete realizar certas coisas, e a sonoridade que ele tem.
No primeiro caso, sabemos que escalas diatonicas super rápidas, como no piano, são difíceis. Por outro lado, dá pra fazer um glissando cromático que é uma beleza. Acordes com terças superpostas não cabem. Condução a 3 ou 4 vozes é complicado. Grandes saltos são complexos, mas por outro lado, é muito fácil fazer notas repetidas. E assim vai.
No segundo caso, pode-se explorar a baixa sustentação do violão para gerar recursos de articulação muito especificos. Por outro lado, algo que só funcione com grande sustentação não vai se dar bem no instrumento. Dá pra ter uma peça que explora bem as texturas de timbre, diferenças entre cordas soltas e presas, acordes com desenho de mão esquerda em paralelo como no estudo 1 do Villa Lobos. Coisas que em outros instrumentos é mais complicado. Por outro lado, tonalidades como Eb, Ab, F, são complicadas tanto na execução como na sonoridade (a ausencia de reforço simpático enfraquece as notas).
Enfim, isso acaba levado os compositores a adotarem certos caminhos e evitarem outros, e influi com certeza na linguagem do instrumento.
No meu ponto de vista, ninguém foi tão feliz ao escrever para violão quanto Villa Lobos. A união de uma linguagem idiomática e com qualidade musical nos estudos e prelúdios ainda serve de lição pra muita gente hoje.
Samuel Huh
http://www.guitanda.com contato@guitanda.com
http://www.guitanda.com contato@guitanda.com
#7
Postado 23 janeiro 2009 - 17:08
Penso a idiomática de um instrumento como uma caixa de ferramentas para o som, para a interpretação (para a leitura ou coisa que valha), que ao longo do tempo foi ficando maior. Concordo com o Ricardo que muita coisa está se perdendo. Apenas alguns elementos mais "impressionantes" dessa caixa são valorizados ultimamente, aquelas ferramentas de "nuance" estão, não sendo desvalorizadas com uma consciência estética, mas simplesmente as orelhas são brutas ou não tem termo de comparação e o que é "impressionante" é impressionante, não tem jeito.
#8
Postado 23 janeiro 2009 - 17:14
Ricardo Dias, em Jan 23 2009, 05:57 PM, disse:
Está mudando, não necessariamente evoluindo. perdemos timbres e cores, e ganhamos um volume duvidoso, que jamais será equiparável a pianos, cellos e violinos. Me pergunto o porquê disso.
Tu achas que o violão está perdendo sua característica intrínseca de instrumento mais intimista?
Daniel Ribeiro Medeiros
Bacharel em Música - Habilitação em Violão pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
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Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
#9
Postado 23 janeiro 2009 - 17:16
Ricardo Dias, em Jan 23 2009, 05:57 PM, disse:
Está mudando, não necessariamente evoluindo. perdemos timbres e cores, e ganhamos um volume duvidoso, que jamais será equiparável a pianos, cellos e violinos. Me pergunto o porquê disso.
Ricardo, pra ser sincero eu não sou grande conhecedor. Um "sommelier" de sons como alguns de vocês
Meu maior conhecimento vem de ler o que vcs escrevem do que propriamente perceber todas essas nuances no som do violão.
Mas eu acho que as pessoas estão tentando outras soluções, buscando coisas novas, enfim, experimentando. Tanto os luthieres quanto os violonistas. E acho isso extremamente saudável. Entendo que você discorda de alguns objetivos de certas tentativas ou tendências. Mas elas não invalidam o conhecimento já existente. E acredito que ainda existam "correntes" de luthiers que buscam objetivos mais comuns com o seu, inclusive - e principalmente - você, que também é um luthier e que contribui em maior ou menor grau nessa evolução do instrumento.
Algumas experiências devem sobreviver, mas a maioria provavelmente será esquecida. E assim vai
Rodrigo
#10
Postado 23 janeiro 2009 - 17:23
Com toda a certeza o violão, assim como todos os demais instrumentos possuem uma linguagem específica de cada um. Isso se deve em grande parte tanto às técnicas instrumentais quanto musicais. Estas apresentam resultados sonoros muito específicos de cada instrumento.
Agora, creio que o violão possui um vocabulário técnico e sonoro muito vasto e em grande parte pouco utilizado e exigido. São muitos os recursos sonoros pouco utilizados e que ainda não possuem um signo (espero estar correto ao dizer isso dessa maneira) específico para representá-los.
Podemos enumerá-los
Abraço
Agora, creio que o violão possui um vocabulário técnico e sonoro muito vasto e em grande parte pouco utilizado e exigido. São muitos os recursos sonoros pouco utilizados e que ainda não possuem um signo (espero estar correto ao dizer isso dessa maneira) específico para representá-los.
Podemos enumerá-los
Abraço
Daniel Ribeiro Medeiros
Bacharel em Música - Habilitação em Violão pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
Bacharel em Música - Habilitação em Violão pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Mestre em Música pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR)












