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Escolha da nova peça/repertório


27 respostas neste tópico

#1 Erik Pronk

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Postado 06 março 2009 - 20:46

Olá colegas do fórum,

Esse tópico soa um pouco "velho" mas gostaria de discutir algumas coisas com vocês que acredito que não foram tratadas mais objetivamente ainda no fórum, pelo menos eu não vi.

Então, queria saber qual o motivo que leva vocês a escolher uma nova peça ou mesmo um novo repertório. Vem por acaso? É apenas fruto da soma de peças estudadas aleatoriamente? É sujerido por outra pessoa (professor)? É inspirado pelo repertorio de algum musico famoso? Enfim, qual é a razão de vocês tocarem as peças que tocam? A resposta pode ser bem simples mas pode ser também bem difícil. Pensem na mais nova peça que estão tocando, ou na que estão planejando tocar. Se pensarmos nos músicos famosos (não só violonistas)... o que orienta a formação do repertório deles?

Particularmente, procurei pensar mais sobre isso e de um tempo pra cá e pelo menos tem ajudado a manter um repertório em dia e com muito mais objetivo. Antes disso as peças íam e vinham deixando as antigas de lado.

Bom, aguardo na curiosidade...

#2 Dgeison Alexander

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Postado 06 março 2009 - 21:19

Olá, Erik!

Bom, eu quando ouvi Recuerdos del Alhambra pela primeira vez, pensei quero tocar essa peça, isso foi em 1999. Procurei alguns professores daqui da minha cidade, não encontrei, passaram-se cinco anos, nesse período não evolui muito, escolhia peças de nível elevado, prá mim na época, como Sons de Carrilhões, La Fila del Marxant (Música do folclore Catalão, peças essa que tirei de ouvido pois não tinha e não lia partitura muito bem), conseguia tocar de maneira meio tosca, outra música que tirei de ouvido foi Quatro Prantos de Nonato Luíz, até que em 2004, conheci Marcus Baer Llerena, que me desviou dos caminhos das pedras, e me ensinou Recuerdos del Alhambra, mesmo não tendo técnicas suficientes. Desde que amei o violão, sempre quiz peças desafiadoras, talvez pelo fato de que no Brasil a cultura não impulsiona muito o violão clássico, então ou você se sobresai de maneira tal a ponto de chamar a atenção de alguém prá sua arte, ou não se consegue sobreviver de música no Brasil, falo prá colegas do meu nível, médio-intermediário, quem já conseguiu chegar lá, como meu herói Fábio Zanon, acho que são outros 500s. Essa é minha trajetório até aqui, pegando peças de nível elevado, mas como sobrevivo dando aula, sinto falta daquele nível de peças como Lágrimas de Tárrega, e sou péssimo na leitura à primeira vista, pois sempre decorei e ficava meses batendo até ficar razoável. Pois perfeita não consigo nenhuma até hoje!

Abraços!

#3 Caio B.

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Postado 06 março 2009 - 21:25

Pô , eu tenho a maior admiração pelo Llerena. Esse cara salvou a minha vida de violonista! rsrsrs

#4 Fernando Fleck

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Postado 06 março 2009 - 23:55

Cara eu sou estudante e já me perguntei muito sobre isso. E vou falar das conclusões que eu cheguei ao longo da faculdade de música.
No começo eu não conhecia muito repertório e ficava cheio de dúvidas a cada semestre de como cumprir o programa exigido pela universidade. E ia bastante pela sugestão dos meus professores. Mas depois eu comecei a pensar sempre nas peças que eu gostava de ouvir e tocar e nas peças que eu sentia que eram legai de serem tocadas.

Parece tudo uma coisa só, mas não é. Tem peças legais de ouvir, mas que às vezes podem ser maçantes para quem toca. Tem peças que tu nem dá bola quando ouve, mas quando toca se apaixona. E tem peças que tu gosta de ouvir e tocar, mas de repente não são tão boas para um recital. Talvez o mais difícil seja saber avaliar todas essas coisas, que é claro são impressões que mudam conforme o tempo passa.
Para os apaixonados pelo violão clássico é fácil achar essas peças. Chega um momento onde se quer tocar umas cem peças e é necessário escolher algumas, o que significa abrir mão de tocar outras milhares de obras.
E antes que alguém diga que eu não comentei. Tudo isso tem que levar em conta o nível do violonista. Ai entra o professor. Tudo isso que eu falei eu sempre discuti com o meu professor.

#5 Caio B.

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Postado 07 março 2009 - 00:03

É engraçado, têm peça que eu gosto de tocar mais pelo modo como a minha mão as executa. Principalmente quando são musicais difíceis de digitação. Aí é o gozo!!!

#6 Alvaro Henrique

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Postado 07 março 2009 - 08:37

O comentário do Fernando foi na mosca: se você conhece o repertório, escolher passa a ser fácil.

Como conhecer repertório? Ouvindo e lendo. Vá a apresentações AO VIVO, de preferência de violonistas próximos do seu nível, vá a festivais e concursos, e leia muita música. Teve uns dois anos da minha vida que todo mês ia na Musimed (possivelmente a maior loja de partituras do Brasil) e ficava lendo as partituras no estoque deles.
Alvaro Henrique - http://www.alvarohenrique.com
Associação de Violão de Brasília (BRAVIO): http://www.bravio.blogspot.com - Confira: http://www.impostometro.org.br/

#7 Erik Pronk

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Postado 07 março 2009 - 08:58

QUOTE
Essa é minha trajetório até aqui, pegando peças de nível elevado


É importante tocar peças desafiadoras, mas seu repertório não pode ser montado só com peças difíceis. Se você só toca peças difíceis o estudo se torna muito carregado e assim desprazeroso. Além do mais é praticamente impossível manter um repertório que, digamos, está acima do nosso nível além do mais o resultado é quase sempre insatisfatório... Por exemplo o que o Fernando falou:
QUOTE
"E tem peças que tu gosta de ouvir e tocar, mas de repente não são tão boas para um recital"


Tem aquelas peças que parecem que foram feitas para a sua mão, elas caem como uma luva ou mesmo sendo difíceis mas que funcionam musicalmente de forma bastante natural, estas devem estar na sua rotina de estudo. E porque não no recital? E aqui já deixo mais uma pergunta:

Será que existe peça ruim para um recital?

QUOTE
É engraçado, têm peça que eu gosto de tocar mais pelo modo como a minha mão as executa. Principalmente quando são musicais difíceis de digitação. Aí é o gozo!!!


Já aconteceu isso comigo também! Adorava tocar uma peça (principalmente na frente do espelho hahaha) porque minha mão esquerda parecia incrível com todos aqueles movimentos. Depois que não era mais novidade perdeu a graça... e lá se foi mais uma peça!

Voltando para a escolha das peças... acontece de ter mais de 100 peças que eu gostaria de tocar. Isso não me impede de conheçer estas peças. Dar uma lida no material e depois escolher as que eu quero levar pro resto da minha carreira... Caso contrário o interesse é perdido e você acaba abandonando-as... Se a gente pensar que a maioria das peças a gente leva por muitos anos e até mesmo pra vida inteira isso vai influenciar bastante na escolha do repertório. Eu não acredito que apenas achar uma peça bonita é motivo suficiente para levarmos ela a sério por muito tempo. É necessário ter um pouco mais de ambição...

#8 Erik Pronk

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Postado 07 março 2009 - 09:16

Isso é verdade Alvaro... Quando começei a tocar violão "classico" a única coisa que eu conhecia era o concerto de Aranjuez e mais umas peças de Albeniz, o que por motivos óbvios deixou a escolha bastante difícil... Nessa época fui obrigado a seguir as peças que me davam (mesmo sem gostar de verdade da maioria!)

Mas minha questão foi mais direcionada à uma atitude mais "profissional" e independente da parte do artista, pra evitar coisas tipo quando termina o curso...e agora? O que me atrai bastante é fazer um repertório que não é muito tocado... ter uma certa particularidade. Isso me mantém interessado no trabalho.

#9 MVW

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Postado 07 março 2009 - 09:49

Sim, Erik,

Acho interessante a busca por caminhos alternativos, mas ao mesmo tempo para a formacao de um profissional nao há como fugir das pecas que formam a "coluna vertebral do repertório", nao é a toa a utilizacao dessa expressao.

É claro que pode se tornar um tema polemico a delimitacao dessa coluna, entretanto, creio que essa polemica se restringiria às suas bordas e nao ao seu centro.

Abraco,
MVW

#10 Victorazzi

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Postado 07 março 2009 - 10:07

QUOTE(Alvaro Henrique @ Mar 7 2009, 08:37 AM) <{POST_SNAPBACK}>
... e leia muita música. Teve uns dois anos da minha vida que todo mês ia na Musimed (possivelmente a maior loja de partituras do Brasil) e ficava lendo as partituras no estoque deles.


Uma das coisas que mais gosto de fazer. Treino de leitura primeira vista. Pego Tudo. Do Opus 1 ao trocentos de Sor, Guiliani, Tárrega, Coste, etc, etc.
Obras que o fórum menciona. Obras mais atuais. Qualquer compositor.
Todo dia, pelo menos de 1/2 a 1 hora.

Estudando, você vai melhorando o seu nível de discernimento e com isso você pode até tocar obras que dentro da sua visão e conhecimento foram negligenciadas.

abs
GV
Grande Abraço
Victorazzi

victorazzi.wordpress.com