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Em resposta ao Nith - estruturas concentricas


5 respostas neste tópico

#1 Roberto Gomes

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Postado 10 agosto 2009 - 16:10

Para não embolar o tópico do colega Castañera, aqui vão algumas considerações que o Nith pediu.



"Nith

Recebi sua MP e aqui vão algumas considerações sobre o que fiz e estou fazendo com os modelos Spiritus.

A idéia da bacia com água e as ondas que se formam depois de recebido o impacto de um objeto, sempre deu o que pensar entre os luthiers, só que do Torres para cá, optou-se pela escola do violino onde o centro do tampo é bem mais grosso do que as bordas para assim suportar o cavalete e a pressão das cordas verticalmente ao tampo e, principalmente, o violino tem seus som produzido com a fricção breu/crina/arco com a exceção dos pizicatos. Já no violão a tensão sobre o cavalete quase no meio do tampo é quase horizontal e com bem menos tensão do que um violino e, principalmente, a produção do som nas cordas é feita pela unha/ polpa/ dedo, o que resultada uma excitação/ movimentação da corda muito menor do que o violino e aí o pensar de como o violão produz sons desejados (volume, timbre, dinâmica, etc.) é muito diferente do que o violino. Creio que só conheço uma facção da Escuela de Madrid que usam os tampos mais finos no centro do que nas bordas então a maioria expressiva optou, ou por um tampo com espessura homogênea ( Hauser, Ramirez III, Bouchet) ou afinando para as bordas ( Torres, Manuel Ramirez e discípulos, Simplício, etc.)

Quando apareceu a história do Spiritus em 2001, foram informados vários aspectos para uma construção diferenciada, principalmente o fundo grosso com sapatas, e o tampo me foi informado que eu já sabia qual o design e eu não sabia porcaria nenhuma!!! Comecei a pensar e lembrei da história da bacia com água e desses anéis (ondas) formados pela energia gerada pelo impacto e fiz isso:





Ficou com um som homogêneo, equilibrado, possante e encorpado, mas meio plano, isto é, sem muitas variações tímbricas meio que ditando o seu som e interpretação. No geral eu gostei muito e cheguei a fazer um em abeto (foto 2) que está com uma amiga em Floripa. Acho que com cedro funcionou melhor, mas não (ou)vi mais este instrumento então não sei como está agora. Todos os 2 tem fundo tradicional e estão em Floripa, Ilha da Magia! Acabei descartando este princípio pois aumentava muito a mão de obra e praticamente consumia mais um tampo para de fazer os círculos. Já o seguinte fiz o "leque" em forma de pipa e este com a idéia da torção controlada. Ao longo dos anos vi vários violões com o tampo empenado na frente do cavalete, alguns ficavam quase com um prato de sopa e o recordista foi o Del Vecchio do Paulinho Nogueira, mas mesmo assim, estes instrumentos soavam muito bem então pensei uma estrutura flexível longitudinalmente ao cavalete e transversalmente ao tampo. Sabia que em poucos anos a região frontal do cavalete iria ficar concava torcendo o cavalete para frente e esta característica mais a escala elevada, mudavam significativamente a angulação das cordas ficando não mais na horizontal, mas anguladas , resultando melhor aproveitamento de energia das cordas para a movimentação do cavalete/ tampo como também o fundo grosso e sapatas em cedro do Oregon e laterais em macacaúba. Este Spiritus está com o Zanon e foi o único que fiz com a idéia da torção controlada, pois logo depois parti para a grade e atualmente faço a grade assimétrica que gera um som possante, equilibrado, dinâmico e com nuances."

Abraços,

Roberto Gomes
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"Memórias de um Luthier"

Editado por Roberto Gomes, 11 agosto 2009 - 13:03.


#2 Zanetti

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Postado 10 agosto 2009 - 20:56

De fato, tudo é experimentação e cada luthier tem uma solução para uma melhor sonoridade de seu instrumento. Acho que até hoje ninguém fez o violão ideal 100 %. Luthiers tem suas soluções próprias, como Smallmann, tampo finíssimo com estrutura em treliça, Damann com tampo duplo com recheio de nomex, alguns usam até fundo duplo. A maioria acha que o volume é fundamental...acho que não é, pois o volume deve ser bom, assim como os harmônicos , timbre, e que devem em conjunto formar um violão " dos sonhos ", digamos assim....
Também acho que ninguém descobriu como o som se propaga dentro da caixa , alguns até dizem que o som " caminha " através da madeira, por isso escolhem aqueles jacarandás imperiais radiais do tempo de D Pedro II, outros dizem que os cortes tangenciais e longitudinais tem obstáculos para a propagação do som e que os radiais tem melhor som, sendo que sabemos que o som propagado no fundo e faixas representa uma pequena porção do resultado final, quando o tampo é o principal..
Tampos de cedro , abeto, com mais de 30 anos, quanto mais velho , mais seco, melhor, quando sabemos que tampos de cedro com mais de 30 anos deterioram mais rápido...
Vejo este seu violão com leque harmônico ( ou seria circulo harmônico ) interessante, pois foi segundo você "ditado por um espírito do além ", e é uma solução inovadora e somente a sua esperiência irá dizer se é o violão ideal...
Enfim, como dizia Einsten, tudo é relativo....

Abraços

Zanetti

Editado por Zanetti, 10 agosto 2009 - 21:24.


#3 Roberto Gomes

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Postado 11 agosto 2009 - 13:24

Estrutura pipa - torção controlada




Grade




Grade assimétrica




Grade com "jumpers" em pinus



Editado por Roberto Gomes, 11 agosto 2009 - 13:53.


#4 Nith

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Postado 11 agosto 2009 - 22:26

Caro Roberto,

Agradeço as considerações, achei-as bastante didaticas e construtivas; de fato o principio utilizado por Castañera na construção do meu violão é razoavelmente parecida com a sua, na relação da utilização dos circulos concentricos. O que notei diferente nessa ideia, foi que Castañera utilizou outra madeira para a confecção desses circulos... madeira escura que não sei definir. Castañera também colocou aneis circulares no fundo do instrumento em oposição aos do tampo, frente a frente.
O resultado foi um som equilibrado, Um otimo timbre, boas nuances, mas com menos projeção de som, (acredito que pelo uso do abeto no tampo).
Um resultado "ruim" no instrumento é a percepção da "sombra" desses aneis esculpidos no tampo, pelo lado de fora, em volta do cavalete. achei particularmente que diminuiu um pouco a sua beleza.


Editado por Nith, 11 agosto 2009 - 22:35.

Renato Gonçalves
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#5 Sidney

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Postado 11 agosto 2009 - 22:59

O som desse violão é bonito mesmo.

Já toquei naquele plugável que aparece na capa do método do Castañera, só não sei se foi feito pelo mesmo luthier, e o som é bonito também.

Você, Nith, sabe se naquele violão a construção é a mesma?

Abraços,

#6 Nith

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Postado 12 agosto 2009 - 14:45

QUOTE(Sidney @ Aug 11 2009, 22:59 PM) <{POST_SNAPBACK}>
O som desse violão é bonito mesmo.

Já toquei naquele plugável que aparece na capa do método do Castañera, só não sei se foi feito pelo mesmo luthier, e o som é bonito também.

Você, Nith, sabe se naquele violão a construção é a mesma?

Abraços,



Olá Sidney,

Não tenho certeza absoluta, mas ao que me consta o Eduardo usa violões construidos por ele e pelo pai (Ernesto), e segundo o que li em um artigo, esse principio de construção com circulos concentricos é utilizada por Castañera desde meados dos anos 90.
... Se alguém tiver informações mais detalhadas, por favor nos ilumine os pensamentos...
Renato Gonçalves
(:_Nith_:)