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Interpretação violonística.


15 respostas neste tópico

#1 Erasmo Valeriano

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Postado 18 julho 2010 - 21:35

Me foi apresentado recentemente, uma visão interpretativa, na qual, o violão fosse relacionado à orquestra.

Como nós violonistas devemos trabalhar isso?

A princípio eu sei, que escutar músicas de orquestra já favorece bastante, mas, quais seriam bons compositores a serem estudados? Quais orquestras e/ou maestros devem favorecer esse estudo da interpretação violonística?
E o mais importante, quanto eu devo me aprofundar nesse assunto?


Erasmo Valeriano

#2 Dorian Gray

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Postado 19 julho 2010 - 05:50

Recomendo começar lendo o chat com o Marcelo Kayath. Sobre trabalhar isso...Bem, vai atrás do Segovia, Bream, do Kayath mesmo, do Zanon. Não consigo pensar em melhores exemplos.
"A vida sem música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio" - Nietzsche

#3 Ricardo Dias

    O Sereno

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Postado 19 julho 2010 - 05:58

Erasmo, ouvir música, de todo tipo, é sempre fundamental. Eu, pessoalmente, adoo quartetos de cordas, dá para chupar muita coisa dali para nosso uso, especialmente na condução das vozes. Quanto à visão que você propõe, do violão/orquestra, é a que partilho, e foi como disso o Dorian bem esmiuçada no chat com o Kayath. Também é bom ouvir a própria música de violão com outros ouvidos. Por exemplo, há diversas músicas que são "operísticas", onde há verdadeiros duetos entre tenor e soprano. Por outro lado, há músicas em que as vozes se sobrepõem verticalmente de forma fantástica, noutras é quase um solo simples, há de tudo. O que me fascina no violão é justamente essa possibilidade única, que nenhum outro instrumento tem, de, sozinho, poder fazer de tudo. A gente harmoniza, sola, faz duas ou até três vozes, tem timbres e cores de todo jeito. Basicamente, só não temos o volume do piano e a duração de nota dos instrumentos de arco. Fora isso, podemos fazer tudo no nosso instrumento.
Ricardo Dias
Luthier
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#4 Erasmo Valeriano

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Postado 19 julho 2010 - 10:19

Nossa, dei uma boa lida no chat temático do Marcelo Kayath e aprendi muita coisa bacana.
Obrigado ao Dorian e ao Ricardo, pretendo continuar estudando esse aspécto violonístico no meu dia-a-dia.
Gostaria ainda de mais informação de varias visões de violonistas, afinal foi com esse objetivo que abri este tópico.
Talvez até alguém com idéia contrária ao Marcelo Kayath, a vontade é de aprender sobre as vertentes da interpretação violonística.
Erasmo Valeriano

#5 Nilo Sergio

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Postado 19 julho 2010 - 12:15

O material do Kayath é muito interessante. O violão visto como um piano ou como um instrumento de cordas. A metáfora é bem explicativa. O único senão é que pode dar a impressão de que o piano seja monocromático. Não é! Há uma série de "amassamentos" possíveis da teclas e conbinações entre toques e pedal que alteram o timbre do instrumento.
Parece que boa parte dos pianistas deixou de fazer uso desses recursos, o que é também lamentável.
Bom o assunto é uso de timbres em violão. O vídeo "Segovia at Los Olivos" mostra uma explanação desse mestre a respeito da possibilidade de "orquestração" timbrística ao violão:

http://www.youtube.com/watch?v=Jr6sBMpNB8k

Por volta dos 5:30 começa a exploração do assunto.

#6 Erasmo Valeriano

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Postado 19 julho 2010 - 18:04

Consegui entender pouca coisa graças ao meu péssimo inglês, mas, ficou bem claro a explicação sobre timbres e coloridos que o violão pode oferecer.

Erasmo Valeriano

#7 Rafael Garcia Borges

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Postado 19 julho 2010 - 18:22

Esse aqui tem legenda em ingles, ai acho que voce consegue se virar...

http://www.youtube.com/watch?v=_nKk4zI5ffI

Abraco

Rafael

#8 Rivas

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Postado 19 julho 2010 - 23:47

A visão interpretativa do violão como orquestra é meio obscuro para certas pessoas, é como se a técnica estivesse em primeiro lugar. Gente tocando muito, sem erros... mas tudo igual, reto, frio.

Em festivais tenho observado que muito dos master-classes a ênfase está em compreender os aspectos musicais para depois fazer a digitação, por exemplo. É lógico que o tempo do professor com o aluno é curto e não dá para entrar em assuntos muito técnicos, igual a uma aula particular, mas as dicas "musicais" dos professores fazem toda diferença.

Acho que uma das respostas seria "entender o que está tocando".

#9 Ricardo Dias

    O Sereno

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Postado 20 julho 2010 - 00:10

Rivas, é exatamente o oposto...
Ricardo Dias
Luthier
Rio de Janeiro
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#10 FZanon

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Postado 20 julho 2010 - 00:59

A gente precisa ter cuidado para não cair numa simplificação exagerada. Tem gente que pensa que tocar violão orquestral é fazer imitaçõezinhas baratas de fagote tocando pizzicato, ou de trombone ou oboé tocando metálico, ou de clarinete tocando sobre a escala etc., só para enfeitar a música, ou para mudar alguma coisa quando uma frase é repetida. Bom, isso qualquer inciante faz, é um recurso barato, pueril, que nem sempre dá nexo à música.
Reconheço que esse tipo de abordagem criou uma reação exagerada, em que toda uma geração de violonistas começou a achar o colorido do violão uma coisa de mau gosto. Lembro de um cara até conhecido malhar o Julian Bream por usar a sonoridade metálica perto do cavalete, como se isso fosse proibido. O problema é que essa reação gerou muitas interpretações simplesmente ruins, porque não tem o colorido mas também não tem outras qualidades musicais. São intérpretes que simplesmente tocam com um som genérico, que pode até ser agradável, mas que é invariável e não respeita o caráter e a particularidade de cada obra.
Orquestrar uma peça no violão tem, como se fosse uma composição sinfônica, de respeitar o fraseado e a harmonia da música, criar variedade onde ela se faz necessária, uniformidade onde o material musical é muito denso e transições entre as seções. Principalmente tem de sublinhar a textura e a harmonia, que são as principais responsáveis pela atmosfera e caráter da música. Resumindo, tocar orquestralmente é estudar o SOM da música, não somente as notas como se fossem um manual de instruções. Não tem nada a ver com efeitos baratos de dolce e metálico.
Isso é uma coisa que o violão faz muito bem, mas o violonista precisa ficar ligado, porque o risco de falta de controle e inconsistência é alto: cada nota do violão PODE ter uma variedade infinita de cores, mas isso tem de ser dominado e subordinado a um senso de ordem musical.
Mas isso não é sóo violão que tem. Peguem no YouTube 5 flautistas diferentes tocando Syrinx de Debussy e vejam como os bons produzem uma linda gama de cores - sem fazer nenhum efeito incomum, só tocando as notas escritas. Os ruins tocam tudo chapado,com som genérico.