E isso é, cada vez mais, a realidade do mundo. A gente, como artistas, tem de contribuir para demolir as fronteiras. Imagina a Elodie ficar jogando com a origem da mãe para posar de autoridade em música latino-americana, seria bem engraçado.
Não vejo nada demais na minha atitude. Na minha publicidade, fica claro que sou brasileiro e qualquer um pode ver que meu sobrenome é veneto. Sou grato à Itália por me ter concedido a nacionalidade e parte de minha bagagem cultural. Meu período formativo foi no Brasil e fiz minha vida profissional na Inglaterra. O Brasil pode não ser o lugar mais óbvio para se aprender música clássica européia, mas digamos que nascer aqui facilita bem mais que nascer em Honduras ou no Afeganistão. Não vejo razão para usar isso para ratificar minhas aptidões, isso é jogar o jogo da crítica mais barata.
Uma das maiores intérpretes de Mozart e Schubert hoje é Mitsuko Uchida, japonesa. MAs daí a critica germânica tem sempre de dizer que ela estudou em Viena, para justificar. Se fosse por aí, todos os pianistas austríacos tocariam tão bem quanto ela, e a multidão de japoneses e coreanos que estudam na Áustria idem.
O Barenboim, israeli nascido nas Argentina, diz que a posição dele é privilegiada, porque não tem de ser referendada pelas particularidades de cultura musical da França, Alemanha e Italia, que tendem a inibir a versatilidade do músico.
Também tenho esta dupla-cidadania, mas a fiz pensando em meu filho, que terá mais facilidades para estudar na Europa, se ele quiser... Eu até falo bem italiano, mas me considero um brasileiro nato e gosto muito de nossa cultura musical , principalmente dos nossos compositores violonisticos como Belinatti, Garoto, Canhoto, Villa, jaime Zenamon ( se bem que este é boliviano, mas mora no PR )..etc...
Imaginem vocês então o que dizer de Barros Mangoré, que era do PARAGUAI...O que falariam dele se estivesse vivo !