Olá,
Ao ter que escolher uma transcrição de uma suite de J.S. Bach para cello, tive várias dúvidas. Quais os critérios que teríamos que adotar para escolher uma boa versão? Entre os quesitos que temos que levar em conta estão:
- A tonalidade - Seria Lá maior a melhor tonalidade para a Suite no.3? Já vi uma versão interessante em Sol Maior.
- A linha do baixo - às vezes tem baixos demais, às vezes tem baixos de menos.
- A separação das vozes - Na parte do cello tudo é escrito em uma única linha. Nas edições para violão, a maioria das vezes o editor separa as vozes do jeito que ele acha melhor, mas às vezes isso pode tirar a liberdade do intérprete.
- A digitação - Algumas versões tem passagens em campanella, o que soa bem no violão, mas que é impossível no cello.
Abaixo seguem algumas versões das seis suites ou da Suite no.3, e caso alguém as tenha tocado, ou conheça essas versões, por favor comentem.
Mel Bay presents J.S. Bach, six unaccompanied cello suites arranged for guitar.
Johann Sebastian Bach; Stanley Yates
1998
Cello suite III : BWV 1009
Johann Sebastian Bach; Michael Lorimer
1977
Suite no. 3, BWV 1009
Johann Sebastian Bach; John W Duarte
1983 New ed.
Cello suites nos. 1, 2, and 3, for guitar
Johann Sebastian Bach; Allen Krantz
1999
Eight J.S. Bach compositions : transcriptions for guitar and a guide to performance
Johann Sebastian Bach; Bryan Townsend
1999
Cello suite no. 3 (BWV 1009)
Johann Sebastian Bach; David Leisner
2000
Suite no. 3 (Orig. para violoncelo)
Johann Sebastian Bach; R Sáinz de la Maza
1970
III. Suite für Violoncello
Johann Sebastian Bach; José de Azpiazu Iriarte
1958
Suite Nr. 3, A-Dur, für Violoncello, BWV 1009 = Suite no. 3 in A major for violoncello = Suite n. 3 in la maggiore per violoncello
Johann Sebastian Bach; Konrad Ragossnig
1978
J. S. Bach.
Johann Sebastian Bach; Yasuo Abe
1976
Suite Nr. 3, BWV 1009
Johann Sebastian Bach; Gerd Michael Dausend
1990
Suite no 3 pour violoncelle B.W.V. 1009
Johann Sebastian Bach; Celedonio Romero
1993
Suite no 3, BWV 1009
Johann Sebastian Bach; Andrew Eliot Zohn
2005
Six suites for cello solo BWV 1007-BWV 1012
Johann Sebastian Bach; Tadashi Sasaki
2001
Suites para Cello - J.S. Bach
Criado por Daniel de Lima, 04 Ago 2010 15:16
9 respostas neste tópico
#1
Postado 04 agosto 2010 - 15:16
#2
Postado 04 agosto 2010 - 15:33
Oi, Daniel; primeiro de tudo você tem que saber exatamente o que quer. Cello é cello, violão é violão. São instrumentos muito diferentes, com características próprias, então é precisod ecidir primeiro o que você espera: o mais próximo possível do cello? O mais próximo possível da sonoridade resultante no cello? A música com sotaque de violão? É fácil tomar a decisão ouvindo o Prelúdio da Suite I, por ser o mais popular tem milhões de versões diferentes. Que tal você achar uma versão no Youtube que te agrade para, a partir daí, podermos discutir o assunto?
#3
Postado 04 agosto 2010 - 16:28
O que faz de uma boa transcrição ser boa?
Bom senso.
Bom senso.
Bem-aventurados os que ouvem com os ouvidos, pois que deles é o reino dos músicos.
#4
Postado 04 agosto 2010 - 16:42
Hay otra transcripcion publicada de las seis suites, la de Marcos Diaz. Esta suite III, concretamente, esta en Sol mayor.
En su pagina web se puede escuchar la Gigue de esta suite, y movimientos sueltos de las otras.
http://www.marcosdiaz.com/
Juan
En su pagina web se puede escuchar la Gigue de esta suite, y movimientos sueltos de las otras.
http://www.marcosdiaz.com/
Juan
#5
Postado 04 agosto 2010 - 18:09
Essa é a pergunta que vale 1 milhão de dólares.
Ser fiel ao original, somente, não faz a transcrição ser boa. É claro que, para cada versão, Bach reescrevia a peça para explorar melhor suas características de textura e tessitura. Então, numa hipotética versão para o violão ou para instrumento similar como o alaúde, ele teria reescrito a música.
Só que a gente não sabe exatamente como. Os exemplos de como ele fez isso são poucos.
Por outro lado, quando Bach concebeu essas obras para cello, ele tratou o material de uma forma elusiva, já com a noção de que, sendo um instrumento melódico, o ouvinte teria de fazer uma escrita imaginativa e completar as lacunas sonoras mentalmente. Completar essas lacunas, em muitos casos, mata a arte de Bach, torna explícito aquilo que ele fez um esforço enorme para manter implícito.
Então vai do bom senso e do conhecimento do intérprete de harmonia e da prática da época pra fazer uma versão convincente e resolver essa equação.
Daí temos várias questões, por exemplo: estamos buscando uma maneira de realizar o trabalho próxima do que Bach faria, ou mais de acordo com o que um alaudista qualquer da época faria?
Uma coisa é clara: a pior transcrição é aquela que coloca notas de baixo à deriva, só pra completar harmonia, sem nenhuma noção de progressão horizontal, tratando a coisa como se fosse harmonia cifrada. Disso temos dezenas de exemplos.
Do que ouvi da transcrição do Marcos Dias, achei muito bom.
Ser fiel ao original, somente, não faz a transcrição ser boa. É claro que, para cada versão, Bach reescrevia a peça para explorar melhor suas características de textura e tessitura. Então, numa hipotética versão para o violão ou para instrumento similar como o alaúde, ele teria reescrito a música.
Só que a gente não sabe exatamente como. Os exemplos de como ele fez isso são poucos.
Por outro lado, quando Bach concebeu essas obras para cello, ele tratou o material de uma forma elusiva, já com a noção de que, sendo um instrumento melódico, o ouvinte teria de fazer uma escrita imaginativa e completar as lacunas sonoras mentalmente. Completar essas lacunas, em muitos casos, mata a arte de Bach, torna explícito aquilo que ele fez um esforço enorme para manter implícito.
Então vai do bom senso e do conhecimento do intérprete de harmonia e da prática da época pra fazer uma versão convincente e resolver essa equação.
Daí temos várias questões, por exemplo: estamos buscando uma maneira de realizar o trabalho próxima do que Bach faria, ou mais de acordo com o que um alaudista qualquer da época faria?
Uma coisa é clara: a pior transcrição é aquela que coloca notas de baixo à deriva, só pra completar harmonia, sem nenhuma noção de progressão horizontal, tratando a coisa como se fosse harmonia cifrada. Disso temos dezenas de exemplos.
Do que ouvi da transcrição do Marcos Dias, achei muito bom.
#6
Postado 04 agosto 2010 - 18:28
Oi,
Música antiga é sempre um grande dilema. É por isso que eu prefiro tocar músicas do século XX e XXI. Mas como eu ainda não tenho tanta intimidade com música barroca a ponto de fazer a minha própria transcrição, vou usar uma de terceiros.
Eu não sei ainda exatamente o que eu quero, mas sei o que eu não quero:
- Como na versão do John Duarte o Prelúdio tem alguns compassos a menos, essa versão já foi descartada.
- A do Michael Lorimer eu não gostei porque tem baixos demais, e às vezes fica muito carregado.
- Na versão do Stanley Yates eu fiquei meio desconfiado por ser em Sol maior ao invés do usual Lá maior.
.
Música antiga é sempre um grande dilema. É por isso que eu prefiro tocar músicas do século XX e XXI. Mas como eu ainda não tenho tanta intimidade com música barroca a ponto de fazer a minha própria transcrição, vou usar uma de terceiros.
Eu não sei ainda exatamente o que eu quero, mas sei o que eu não quero:
- Como na versão do John Duarte o Prelúdio tem alguns compassos a menos, essa versão já foi descartada.
- A do Michael Lorimer eu não gostei porque tem baixos demais, e às vezes fica muito carregado.
- Na versão do Stanley Yates eu fiquei meio desconfiado por ser em Sol maior ao invés do usual Lá maior.
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#7
Postado 04 agosto 2010 - 19:36
Estou estudando a suite 3 na transcrição do Marcos Diaz e acho muito boa. A diferença principal em relação a versão do Yates, que tbém é em sol maior, é que o Marcos usa scordatura, afinando a 5a. em sol e a 6a. em ré, e acho que isso resulta numa sonoridade muito legal que a versão do Yates não alcança. Na suite 1 até gosto da versão do Duarte, acho que tem um certo charme, mas a suite 3 prefiro bem ágil, leve e fluida, então acho que a versão do Diaz ficou muito melhor e por esse motivo também acho que em sol maior fica melhor que em lá maior, que é mais "presa".
Na digitação, quando peguei uma vez a versão do Duarte, mudei tudo, não gostei. Já a versão do Diaz gostei muito das escolhas, e mudei muito pouco.
Como o Zanon falou, acho que não precisa adicionar notas, e prefiro não fazê-lo, mas um trabalho legal é deixar soando determinadas notas por mais tempo, para ressaltar determinados movimentos "implicitos" de vozes. E para isso que normalmente mudo bastante a digitação em relação a versões que encontro por aí...
Na digitação, quando peguei uma vez a versão do Duarte, mudei tudo, não gostei. Já a versão do Diaz gostei muito das escolhas, e mudei muito pouco.
Como o Zanon falou, acho que não precisa adicionar notas, e prefiro não fazê-lo, mas um trabalho legal é deixar soando determinadas notas por mais tempo, para ressaltar determinados movimentos "implicitos" de vozes. E para isso que normalmente mudo bastante a digitação em relação a versões que encontro por aí...
Editado por Prox, 04 agosto 2010 - 19:37.
#8
Postado 04 agosto 2010 - 20:44
Considere a versão do Prof. Napoleão Costa Lima, que se propõe a não preencher as lacunas sonoras de que falou o Zanon.
O site Matepis.com.br deve gter a transcrição disponível.
O site Matepis.com.br deve gter a transcrição disponível.
Senescendo et addiscendo
#9
Postado 09 agosto 2010 - 15:47
A versão do Marcos Diaz, em sol maior, me parece bem interessante. Vou tentar encontrá-la e dar uma lida.
Eu ouvi a versão do David Leisler e achei bem boa. Essa tem na biblioteca da escola.
.
Eu ouvi a versão do David Leisler e achei bem boa. Essa tem na biblioteca da escola.
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#10
Postado 09 agosto 2010 - 21:58
Daniel,
Porque não dá uma ouvida geral antes de decidir?
Preste bastante atenção nas articulações.
Abraços,
AC
Rostropovich
http://il.youtube.com/watch?v=iyFysf14x0s&...feature=related
Outra visão no violoncelo:
http://il.youtube.com/watch?v=NtgKrtZLKYk
Na viola:
http://il.youtube.com/watch?v=Rvp7f68FZGg
Piano:
http://il.youtube.com/watch?v=JDbtsuozRaE
No violao:
http://il.youtube.com/watch?v=-VYTMZPi3BI&...feature=related
S.Yates
http://il.youtube.com/watch?v=JBBj6YDWoZM&...feature=related
Porque não dá uma ouvida geral antes de decidir?
Preste bastante atenção nas articulações.
Abraços,
AC
Rostropovich
http://il.youtube.com/watch?v=iyFysf14x0s&...feature=related
Outra visão no violoncelo:
http://il.youtube.com/watch?v=NtgKrtZLKYk
Na viola:
http://il.youtube.com/watch?v=Rvp7f68FZGg
Piano:
http://il.youtube.com/watch?v=JDbtsuozRaE
No violao:
http://il.youtube.com/watch?v=-VYTMZPi3BI&...feature=related
S.Yates
http://il.youtube.com/watch?v=JBBj6YDWoZM&...feature=related











